20100910

लं वं रं यं हं ॐ गं गनापताये नमः लं वं रं यं हं ॐ गं






ॐ विनायकाय नमः
Om Vinayakaáya namah
Adoração a Ganesha , o removedor dos obstáculos.

ॐ कालाय नमः
Om Kalaáya Namah
Adoração a Ganesha, o mestre do Destino.

ॐ ग्राहापताये नमः
Om Grahaápatayê Namah
Adoração a Ganesha,Senhor de todos os Planetas e Galáxias.

ॐ कामिने नमः
Om Kaáminê Namah
Adoração a Ganesha , o Deus que é todo Amor.

ॐ प्रसन्नात्मने नमः
Om Prasannaátmanê Namah
Adoração ao senhor Ganesha, que é o alimento da Alma.

ॐ अग्रन्याय नमः
Om Agranyaáya Namah
Adoração ao senhor Ganesha, filho nascido de Shiva.

ॐ पापहरिने नमः
Om Paápaharinê Namah
Adoração ao senhor Ganesha, o Destruidor das Doenças.

ॐ श्रीकराय नमः
Om Shríkaraáya Namah
Adoração ao senhor Ganesha, o que manifesta a prosperidade.
Jaya Ganesha Sharanam,Sharana




O DEUS DA BOA FORTUNA

Em termos gerais, Ganesha é uma divindade muito amada e frequentemente invocada, já que é o Deus da Boa Fortuna quem proporciona prosperidade e fortuna e também o Destruidor de Obstáculos de ordem material ou espiritual. É por este motivo que sua graça é invocada antes de iniciar qualquer tarefa (por exemplo, viajar, prestar uma prova, realizar um assunto de negócios, uma entrevista de trabalho, realizar uma cerimônia) com Mantras como: Aum Shri Ganeshaya Namah (salve o nome de ganesha), ou similares. É também por esse motivo, que tradicionalmente, todas as sessões de bhajan (cântico devocional) iniciam com uma invocação de Ganesha, o Senhor dos "bons inícios". Por toda a Índia de cultura hindu, o Senhor Ganesha é o primeiro ídolo colocado em qualquer nova casa ou templo.

Além disso, Ganesha é associado com o primeiro chakra, que representa o instinto de conservação e sobrevivência e de procriação. O nome desse chakra é muladhara.

: Atributos Corporais:

Cada elemento do corpo de Ganesha tem seu próprio valor e seu próprio significado:

A cabeça de elefante indica fidelidade, inteligência e poder discriminatório;
O fato dele ter apenas uma única presa (a outra estando quebrada) indica a habilidade de Ganesha de superar todas as formas de dualismo;

As orelhas abertas denotam sabedoria, habilidade de escutar pessoas que procuram ajuda e para refletir verdades espirituais. Elas simbolizam a importância de escutar para poder assimilar idéias. Orelhas são usadas para ganhar conhecimento. As grandes orelhas indicam que quando Deus é conhecido, todo conhecimento também é;

A tromba curvada indica as potencialidades intelectuais que se manifestam na faculdade de discriminação entre o real e o irreal;

Na testa, o Trishula (arma de Shiva, similar a um Tridente) é desenhado, simbolizando o tempo (passado, presente e futuro) e a superioridade de Ganesha sobre ele;

A barriga de Ganesha contém infinitos universos. Ela simboliza a benevolência da natureza e equanimidade, a habilidade de Ganesha de sugar os sofrimentos do Universo e proteger o mundo;

A posição de suas pernas (uma descansando no chão e a outra em pé) indica a importância da vivência e participação no mundo material assim como no mundo espiritual, a habilidade de viver no mundo sem ser do mundo.

Os quatro braços de Ganesha representam os quatro atributos do corpo sutil, que são: mente (Manas), intelecto (Buddhi), ego (Ahamkara), e consciência condicionada (Chitta). O Senhor Ganesha representa a pura consciência - o Atman - que permite que estes quatro atributos funcionem em nós;

A mão segurando uma machadinha, é um símbolo da restrição de todos os desejos, que trazem dor e sofrimento. Com esta machadinha Ganesha pode repelir e destruir os obstáculos. A machadinha é também para levar o homem para o caminho da verdade e da retidão;

A segunda mão segura um chicote, símbolo da força que leva o devoto para a eterna beatitude de Deus. O chicote nos fala que os apegos mundanos e desejos devem ser deixados de lado;

A terceira mão, que está em direção ao devoto, está em uma pose de bênçãos, refúgio e proteção (abhaya);

A quarta mão segura uma flor de lótus (padma), e ela simboliza o mais alto objetivo da evolução humana, a realização do seu verdadeiro eu.

20100622

ॐ नमः शिवाय ॐ जाया हारा ॐ



O silêncio é um estado de espírito, ele não é uma percepção auditiva. O AUM é SHAKTÍ e vibra continuamente e isto podemos perceber até mesmo pelo sentido auditivo, mas o silêncio é SHIVA, aquele que emana de si SHAKTÍ, e para se perceber o silêncio há que se perceber SHAKTÍ... e se entregar sem nenhuma resistência ao íntimo pralaya .

OM NAMAH SHIVAYA

20100621

ॐॐ VALEW SOU SHIVA! ॐॐ



SHIVA É O PONTO DE UNIÃO ENTRE AS DUALIDES,
É A PROPIA DUALIDADE, E DELE É EMANADO O ZERO
CONTIDO DENTRO DO ZERO.

É A SENSAÇÃO DA AUSENCIA PRESENTE,
PRESENTE EM TODA AUSENCIA,

SHIVA ESTÁ FORA E É ENVOLVENTE
SENTINDO –SE DE DENTRO,
POIS TODO O FORA ESTÁ DENTRO DELE.

SHIVA É TODO ILUZÃO E TODO REALIDADE
SHIVA É TODO MENTIRA E TODO VERDADE
E ALÉM DISTO O QUE HÁ OU NÃO,TAMBÉM É SHIVA.

ACORDE SHIVA!EU SOU SHIVA.
ACORDE SHIVA!EUSOU SHIVA.

OM NAMAH SHIVAYA JAYA HARA

ACORDE SHIVA!EU SOU SHIVA.
ACORDE SHIVA!EUSOU SHIVA.

OM NAMAH SHIVAYA JAYA HARA

NAVEGANDO EM SHIVA, SHIVA VEM NAVEGANDO
SHIVA É O CAMINHO E O CAMINHANTE
OLÁ SHIVA. DIZ SHIVA: OLÁ!

O O MEU ALIMENTO É SHIVA E DE SHIVA EU SOU O ALIMENTO

Este texto é para que Eu perceba que tudo é nutrido e mantido por SHIVA,
E que a minha parte é permitir que ele se expresse e usufrua desta porta que eu chamo de Eu, por que Ele é esta porta por onde Ele flui e é Também o que apropriamos como nossos Eu’s, isto e quem observa isto também é SHIVA, e que todo desencontro e encontro são frutos da sua absoluta sabedoria.

OM NAMAH SHIVAYA JAYA HARA HARA BHOLE MAHESHVARAYA

20100606

CANTOS MISTICOS de LALLA




LA INEXPRESABLE NO-DUALIDAD O LA ENSEÑANZA SUPREMA

1.-
Por una práctica asidua,
aquello que se ha desplegado ampliamente se reabsorbe,
aquello que está dotado de forma y cualidades
con el vasto Vacío se ha íntimamente fundido,
incluso el Vacío ha desaparecido,
solo queda entonces lo Inefable.
Tal es, oh Brahmin, la Verdad a obtener.

2.-
La palabra, el pensamiento, lo inmanente, lo transcendente, nada son en ese lugar.
El silencio, los mudra para nada dan acceso a Eso.
Ni siquiera la Consciencia y la Energía ahí están.
Si algo queda ahí, entonces, he ahí la Verdad
que conocer y realizar.

3.-
No hay ni Tu ni yo, ni contemplado ni contemplación,
solamente, Aquel que todo ha creado, y en el olvido se ha perdido.
Si los ciegos ahí no ven nada profundo,
los sabios, que lo supremo han reconocido,
en El se han fundido.



LA FASCINACION DEL MUNDO Y EL REMEDIO


4.-
Es un lago tan pequeño
que ni un grano de mostaza podría albergar
Sin embargo a el todos van a beber.
Ciervos, chacales,
rinocerontes, elefantes,
Todos, en cuanto nacen, he ahí donde caen,
una y otra vez.

5.-
Oh alma mía. Por ti lloro.
Porque la atracción del mundo, ese fruto de la ilusión,
te ha tocado en suerte.
Pues, ni siquiera la sombra de aquello a lo que te apegas
al final estará cerca de ti.
La verdadera naturaleza del Ser
¡ay! ¿por qué la has olvidado?

6.-
¿Por qué, oh alma mía, te dejas embriagar por un vino que no es de tu cosecha?
¿Y por qué confundes error con verdad?
Carente de discernimiento, hete aquí fascinada por una ley extraña a ti.
Sometida al circulo de ir y venir,
de nacer y morir.

7.-
A un hombre sabio he visto, morir de hambre,
caer, como una hoja muerta por el viento del invierno.
A un idiota he visto,
que pegaba a su cocinero.
Desde entonces yo, Lalla,
a que de cuajo se corten todas mis ataduras,
yo espero.

8.-
Por el gran camino he venido, (el del nacimiento humano)
pero por el no volveré.
Heme aquí todavía en el ribazo
sin haber ni siquiera la mitad recorrido;
y el día se va... y la luz se oscurece...
Busco en mi bolsillo y ni una ochena (har-nâv: Shiva, la consciencia) encuentro.
¡ay! ¿al barquero que le daré?. (que hace la travesía al otro mundo tras la muerte)

9.-
Shiva, Vishnu, Budha, Señor del loto nacido,
sea el nombre que se Le dé,
¿puede el nombre liberarme de la enfermedad del mundo,
se le llame tal, o se le llame cual?

10.-
Sin parar venimos, y entonces hay que volver
día y noche hay que avanzar.
Y de allí de donde venimos, ¡allí mismo a retornar!
por siempre en la rueda de nacer y morir.
¡De nada a nada! ¡De nada a nada!
Algo hay aquí
que tendremos que descubrir.

11.-
La Consciencia-felicidad, Luz y Conocimiento,
aquellos que la han reconocido
liberados vivientes son.
Pero a la enredada red del devenir,
nudos por centenas
los dormidos añaden.

12.-
Las seis corazas están en Ti
las mismas corazas están en mi
pero, oh Shiva,
de Ti separada, a la miseria me reduzco,
ya que entre Tu y yo, con todo sin diferencias,
si que hay una:
y es que Tu eres, Tu, el amo de las seis
y yo soy, yo, por las seis esclavizada.

13.-
El deseo de liberarte que hiciste en el seno de tu madre
¿Cuándo te volverá a la memoria?
Muere, hermano, antes de morir.
Y cuando mueras,
¡Honor, gran honor a ti!

14.-
Si obtienes un reino no tienes reposo,
Y si de el haces don, tampoco estás en paz.
Pero el liberado del deseo, no muere.
¡Que él muera al deseo, permaneciendo vivo!
He ahí el verdadero conocimiento.

15.-
Lo que comienza amargo deviene dulce
Lo que comienza dulce veneno se vuelve.
Cada cual hace su elección.
Aquel que avanza sin flaqueo
llega al lugar que eligió.


UNA PALABRA CLAVE PARA UNA BUSQUEDA ARDIENTE


16.-
¡A recitar, a recitar una vez más!
así desgasté la lengua y paladar.
Sin embargo hasta Ti
nunca mis practicas han llegado.
¡A desgranar el rosario!
así me he desgastado índice y pulgar
Sin embargo ni un ápice mi pensamiento
se ha alejado de la dualidad.

17.-
Mil veces interrogue a mi Maestro:
"¿a aquel que nada puede definir, que nombre dar?"
Y me agotaba de repetir mi petición.
De lo Indefinible, veo yo,
es de donde surge la Creación.

18.-
Un único precepto mi Maestro me ha dado:
"De lo exterior, me dijo, entra en lo interior"
Para mi, Lalla, esa fue la Palabra y el Precepto por excelencia.
Entonces, desnuda, danzando me puse a errar.

19.-
Solo te vistas para protegerte del frío.
Solo comas para tu hambre calmar
Conságrate, alma mía, a discernir el Ser Supremo.
Y reconoce este cuerpo como algo bueno...
para los cuervos del bosque.

20.-
Aquel que ha matado a los ladrones (concupiscencia, orgullo y deseo)
y que, esos bandidos muertos, actúa con humildad,
es al Señor eterno al que ha encontrado,
y verdaderamente para él,
solo cenizas son el resto.

21.-
Las impurezas de mi corazón hice quemar,
toda avidez maté,
entonces volando se fue el nombre de Lalla,
mientras que yo permanecía ahí, arrodillada.

22.-
Presa de una ardiente nostalgia,
yo, Lalla, salí y partí errante,
en una búsqueda perdida
a través de días y de noches.
Al fin, en mi propia morada vi al Sabio
y a él me sujeté.
¡Ah, esa fue mi buena estrella,
mi momento afortunado!


INTERIORIDAD Y PURIFICACION


23.-
Mata a los demonios asesinos: pasión, cólera y deseo.
Si no con sus flechas te matarán.
Ponte en guardia y, gracias al discernimiento del Ser,
dales tu paz por todo alimento.
Descubre entonces que débil es su poder.

24.-
El acto justo, oh desorientado, no consiste en ayunar
ni en hacer una comida ritual tras el ayuno.
El acto justo, oh desorientado, no consiste en dar comodidad
ni cultivo y mimo al cuerpo.
Lo que se te enseña, en verdad,
es a discernir la Esencia connatural.

25.-
Así pudiera dispersar las nubes del Sur,
pudiera vaciar el mar o curar al enfermo desahuciado,
que no sabría como convencer al desviado.

26.-
Has curtido la piel (has venido al mundo)
y la has tensado y sujetado (te has instalado en el deseo)
para tu particular provecho.
¿Qué has sembrado ahí, para obtener una buena cosecha?
¡Oh desorientado! darte a ti una enseñanza
es como disparar contra un muro
¡una perdida de tiempo!

27.-
No hagas a tu cuerpo sufrir,
con hambre y sed.
Aliméntalo cuando lo necesite.
Abandona tus ayunos y ritos.
Actúa bien:
esa es para ti la justa acción.

28.-
Complaciendo los apetitos,
no llegarás a ningún sitio.
Pero la privación y el ayuno,
te harán pretencioso.
Mantén una igualada mesura
y obtendrás la igualdad.
Para el que se nutre de igualdad, las puertas están abiertas.
Cuando el igual, se une a su igual,
¿cómo podría haber la menor diferencia?
El "Yo Soy" realizarás, entonces.

29.-
Buena comida y adorno, no apaciguan el alma,
pero los que las falsas esperanzas han quitado
a las cimas han ido.
Habiendo aprendido de las escrituras
a temer a la muerte y a la duda,
al deseo usurero nada han prestado.
Dichosos, entonces, largo tiempo han vivido.

30.-
El nombre y la fama:
¡como echar agua en una cesta!
Pero si con su mano un héroe puede coger el viento
(dominar la tormenta interior)
o, con un cabello, atar a un elefante,
(el elefante de los deseos)
Entonces, ¡ese es el verdadero triunfo!.

31-32.-
Oh tú que tienes un cuerpo;
tu no piensas más que en ese cuerpo.
Oh tú que tienes un cuerpo;
tú no te ocupas más que de adornarlo.
No haces más que colmarlo de placeres.
Pero de ese cuerpo
apenas un puñado de cenizas quedará.

Lleva la búsqueda en ese cuerpo con pasión,
en ese cuerpo que un vehículo de la Esencia es.
Una vez desaparecidos el deseo y la ilusión,
un halo de gloria va a surgir,
en ese cuerpo mismo.
La belleza, ahí, aparecerá.



PARA UN VERDADERO CULTO


33.-
De santuario en santuario el peregrino va,
buscando a Aquel a quien en si mismo no puede ver.
Oh alma mía,
tu que la Verdad has conocido,
cesa de perderte;
aunque sea la hierba lejana
la que te parece más verde.

34.-
De piedra la estatua, de piedra el templo,
Desde arriba hasta abajo, solo piedra.
O Pandit (monje erudito) obstinado, ¿a eso es a lo que adoras?
Mejor harías en unir tu aliento y pensamiento.

35.-
Satisfaciendo al pudor, se protege del frío;
solo hierba come y agua bebe.
¿Quien, Pandit obstinado, te ha enseñado a ofrecer
un cordero vivo como alimento a una piedra muerta?

36.-
No es necesaria la hierba sacra, las flores, las semillas de sésamo
la lampara ni el agua
para aquél que, fielmente, guarda en su corazón
la palabra de su Maestro;
por su pasión él conserva incesante
el recuerdo de Sambhu. (la Consciencia apacible)
Lleno de felicidad, su actividad libre y espontánea, él no renacerá.

37.-
Tu solo, Tu eres el cielo
Tu solo, Tu eres la tierra.
Tu solo, Tu eres el día, el aire y la noche.
La ofrenda de semillas, la unción de sándalo,
las flores y el agua lustral; eres Tu.
Tu eres todo, ¡oh Tu solo! ¿qué podría yo ofrecerte?

38-39.-
¿Quién es el donador de flores y quién la donadora?
¿Qué flores como culto ofrecer?
¿Con qué agua hacer la aspersión?
¿Y que mantra despertara a ese Señor, al Ser?

La mente es el donador, y la devoción, la donadora.
Las flores de la adoración
componen el culto que ofrecer.
El mundo objetivo (en oblación ofrecido)
es el agua de la aspersión,
El mantra de silencio
es el que despierta a ese Señor, al Ser.

40.-
Detener un río o parar un fuego,
Caminar por el cielo a zancadas
ordeñar una vaca de madera
A fin de cuentas, ¡juegos de magia son!

41.-
Nacida en este mundo, no he buscado sus grandezas,
ni me he complacido en deseos y placeres.
las satisfacciones moderadas he apreciado,
sufrimientos y tribulaciones bien soportado,
a Dios siempre siendo fiel.

42.-
¿Por qué vas a tientas como un ciego?
Si eres astuto, entra en el interior.
Shiva ahí está, no Lo busques en otro lugar.
En mi palabra espontanea debes confiar.

43.-
Shiva se extiende, como una fina red,
impregnando toda forma.
Si, vivo, no Lo ves
¿Cómo muerto lo verás?
Del yo extrae el Yo, después de haber discernido.

44.-
En el escenario teatral, hay múltiples disfraces,
encuentra-Le.
Si soportas todo con paciencia, descubrirás la dicha.
Si cólera, envidia y enemistad apaciguas,
entonces verás el rostro de Shiva.

45.-
He abandonado la vanidad, la mentira y lo que es falso,
he enseñado a mi pensamiento
a conocer al Unico en todos los hombres.
¿Cómo podría si no diferencio a un hombre de otro,
rechazar el alimento que uno de ellos me da?

46.-
En todo y por todo Shiva mora,
no reconoces a un Hindú o a un Musulmán,
Pero si eres sagaz, reconoce al Ser de cada ser,
el conocimiento del Señor verdaderamente eso es.

47.-
Algunos leen (los libros sagrados) siempre, oh Padre,
pero sin discernimiento,
Como un loro, en su jaula, el nombre de RAM repiten.
Leen el Bhagavad Gita
pero eso es una falsa apariencia.
Yo he leído bien el Gita ¡y lo estoy leyendo (viviendo) en cada instante!

48.-
He puesto en práctica lo que leía
y leído lo que no estaba escrito.
He arrastrado al león (al pensamiento) fuera del bosque
y puesto bien en practica lo que a los demás predicaba.
Todo entonces se volvió claro, y pude tocar la meta.

49.-
Fácil es leer y recitar,
más difícil practicar, aquello que se leyó.
Sutil y difícil conseguir
la búsqueda de la Esencia innata (connatural)
Siendo constante mi práctica y los Tratados olvidados,
la Consciencia-Felicidad
para mí se volvió certeza.

50-51.-
¿Quién está dormido y quien en vigilia?
¿Qué lago siempre desbordado?
¿Qué culto ofrecer a Shiva?
¿Y que suprema morada buscar?

El pensamiento está dormido, Lo Indiferenciado en vigilia.
Desbordado en permanencia, el lago de los sentidos.
El justo culto a ofrecer a Shiva;
es el discernimiento del Ser.
La suprema morada que ganar;
la Consciencia misma de Shiva.



LA ACCION Y EL TIEMPO


52.-
Bajo tus pies un abismo, y es ahí donde tu danzas.
Dime ¿como puedes tener confianza?
Todo lo que amasaste, aquí lo dejarás,
Dime ¿como puedes apreciar los buenos platos?

53-54.-
Ahora veo un río fluyendo;
luego ni barco ni puente se ven.
Ahora veo un arbusto floreciendo.
ni rosa ni espina después.

Ahora veo un horno encendido;
ahora ni fuego ni humo puedo ver.
Tan pronto vi a Kunti como Reina,
como artesana la encontré después.
(alusión a un episodio del Mahabharata)

55.-
Por muy a menudo que me haya embriagado con el agua del Syund
Por muchos que hayan sido mis papeles en el teatro.
Por muchas encarnaciones por las que haya pasado.
Lalla continúo siendo:
¿de qué sirvió entonces todo eso?

56.-
Nosotros fuimos y seremos,
De edad en edad hemos sido.
Por siempre Shiva hace nacer y hace morir.
Por siempre el Sol se eleva y acuesta.

57.-
Presta oído a mis palabras oh noble Santo:
¿Te acuerdas de los días de antaño?
Oh jóvenes, los días y las noches ¿cómo las pasareis?
Nuestra edad (el Kali yuga) es cada vez más difícil;
¿qué es lo que entonces vais a hacer?

58.-
Oh hombre, ¿por qué trenzas una cuerda de arena?
con ese cordaje, oh hilandero, no podrás arrastrar una barca.
Lo que ha sido escrito por el Dios de la Creación
en la línea del destino,
Eso, no puede ser cambiado.

59.-
Gana un reino quién maneja su espada.
Gana el Cielo quién practicó ofrendas y limosnas.
Gana la revelación de la Esencia innata (connatural),
quién siguió la palabra de su Maestro.
Por su pecado o su virtud,
el hombre mismo recoge sus frutos.

60.-
La Vía del Conocimiento
como una huerta es.
Rodéala de un seto de paz, de dominio y de actos justos.
Entrega tus acciones pasadas
al origen del que surgieron,
saliendo del circulo de causas y efectos.
Pronto alcanzarás la Vacuidad.

61.-
De cualquier acción que yo haga
la responsabilidad me incumbe;
incluso si el beneficio es para otro.
Si, al fin liberada del fruto de las obras,
retorno al Ser supremo,
entonces, dondequiera que esté,
todo se hará para bien.

62.-
Algunos incluso dormidos
permanecen vigilantes.
Para otros, aunque despiertos,
un profundo sueño ha caído.
Algunos, después del baño,
permanecen muy impuros.
Otros, aun sin descuidar la acción,
están libres del acto.



PARA NO CONFUNDIRSE DE CAMINO


63.-
De la madre han nacido, bellos y plenos de vigor,
no sin, en el vientre, haber causado gran dolor.
Después a la misma puerta vuelven a llamar.
Difícil de encontrar a Shiva debe ser:
la Enseñanza entonces has de reconocer.

64.-
De la misma piedra, que un trozo de la tierra es,
un adoquín o un pedestal se puede hacer,
o incluso la rueda de un molino.
Difícil de encontrar a Shiva debe ser:
la Enseñanza entonces has de reconocer.

65.-
¿No brilla el sol por todas partes
y no solo en los lugares bellos?
¿Y no entra el agua en la casa de los buenos
y en la de los demás?.
Difícil de encontrar a Shiva debe ser:
la Enseñanza entonces has de reconocer.

66.-
La misma (la energía), como madre, da de mamar.
La misma, como esposa, así actuará.
La misma, como maya al final
la vida te quitará.
Difícil de encontrar a Shiva debe ser:
la Enseñanza entonces has de reconocer.

67.-
Si hubiera sabido, del pensamiento justo ayudándome,
dominar el conjunto de las corrientes vitales,
cortarlas del deseo,
reunirlas en el Ser,
y vencer al sufrimiento;
entonces habría sabido, poco a poco, crear el elixir.
Difícil de encontrar a Shiva debe ser:
la Enseñanza entonces has de reconocer.



EL PENSAMIENTO


68.-
¿Qué puedo hacer con los cinco sentidos,
con los órganos de acción,
con el pensamiento que los gobierna?
¡cuando se vacía este recipiente se van!
Si todos hubiesen estado unidos
¿como me hubiera podido extraviar?

69.-
Considera tu pensamiento
como semejante al océano de la existencia.
(una masa de agua tranquila, sobre un fuego destructor)
En la cólera desencadenado
agudas heridas ocasionará.
Pero, de todo esto,
nulo es el peso en la balanza de la verdad.

70.-
No sueltes la brida de tu asno (el pensamiento)
porque del jardín del vecino
el azafrán se comerá.
¿Quién entonces ofrecerá
el torso desnudo al latigazo?

71.-
Pon tu pensamiento sobre el camino de la inmortalidad,
Si de él pierdes el control, mal se portará.
Se firme sin temor:
solo es como una comida
que se agita en la marmita.

72-73.-
¿Quién muere? ¿Quién es matado?
Aquel que desiste del nombre de Shiva.
para agitarse en su casa:
ese es el que muere, ese es el que es matado.

Aquel que, lleno de impulso y confianza,
sigue la palabra de su maestro,
el que, por la brida del conocimiento,
retiene al corcel del pensamiento,
con sus sentidos apaciguados
la felicidad disfrutará ahí.
Entonces, ¿quién podría morir y quién ser matado?

74.-
Destruye las vanas imaginaciones y deseos,
que tejen la red del tiempo.
Habiendo conocido al Señor,
que es inmaculado y puro,
viviendo la verdad que has conocido;
tanto puedes vivir de amo de casa
como de ermitaño.



EL ALIENTO Y LA ENERGÍA ASCENSIONAL


75.-
¿Por qué camino y de donde he venido?
¿A dónde iré y cómo el camino reconoceré?
Al fin surgirá para mi, el Arbitro del destino,
donde mi aliento vacío nada valdrá.

76.-
Al que mantiene la brida del aliento,
hambre ni sed, no le tocarán.
Quien sabe realizar esto hasta el final,
¡Afortunado en este mundo, que ya no renacerá!.

77.-
El corcel de la mente vagabundea en el cielo.
En un parpadeo, recorre cien mil leguas.
Un sabio sabe retenerlo
con la Consciencia de Si como brida,
y sabe detener los dos alientos (prana, apana)
que las ruedas del carro son.

78.-
Cuando poco a poco pude de mi mente detener
sus procesos y pensamientos,
la lampara para mi se encendió,
mi naturaleza real se mostró.
En las tinieblas de mi alma
me agarré a lo Real ,
y entonces, como una compuerta,
hasta lo lejos difundí mi íntima luz.

79.-
Algunos dejan su casa, otros dejan la ermita:
todo en vano si su pensamiento no está dominado.
Día y noche, estáte atento a tu aliento.
Y tal cual eres en realidad y donde estés, así permanece.

80.-
Como había franqueado los seis bosques,
el Ser que está oculto, se me hizo evidente.
Por el dominio del aliento,
el mundo manifestado, me pareció marchito.
En el fuego del amor yo consumía mi corazón;
así encontré a mi Señor.

81.-
He agarrado y retenido por la brida
el corcel de mis pensamientos.
Y, por una ardiente practica,
he unido los alientos.
Entonces el Ser que está oculto, habiéndose derretido,
todo por mí se ha extendido,
y en el Vacío, un vacío se ha absorbido.

82.-
¿Quién puede degustar el néctar del Ser que está oculto?
¿Quién puede dominar su aliento?
¿Quién puede ver el sol en la noche?
El que a sabido domar sus sentidos,
en la oscuridad del alma,
puede ver la Luz.

83-84.-
Oh Maestro,
tu que eres para mí Gran Señor,
¿quisieras explicarme, tu que conoces el misterio,
porqué, de estos dos alientos, nacidos en el bajo vientre,
uno, HUH es frío y el otro HAH es caliente?

Cerca del ombligo todo es ardiente por naturaleza;
Desde ahí hasta la garganta, transcurre el aliento cálido.
Del centro superior desciende la corriente de fresco néctar.
Así HUH es fresco, HAH es cálido.

85.-
Yo, Lalla, vi a mi Maestro espiritual
por encima del centro superior.
El Ser que está oculto me inundó hasta los pies.
Del néctar del conocimiento investí mi persona,
poniendo completamente fin al deseo.



VIA DEL CISNE, MANTRA OM, SONIDO INAUDIBLE


86.-
Como invocación ritual,
repite el mantra no recitado (so-ham unido a la respiración)
rechaza el yo y entonces, coge-Le, a El:
De aquel que abandona el yo, es El; el Ser.
No ser más ese "yo";
esa la Enseñanza es.

87.-
El día se apagará y vendrá la noche,
La superficie de la tierra se perderá en el cielo.
El demonio de la ignorancia por la luz de la consciencia será devorado.
La iluminación del Ser en el corazón;
el verdadero culto a Shiva, ese es.

88.-
De la casa que es mi cuerpo
puertas y ventanas he cerrado.
Domando la respiración
atrapé el ladrón que es el aliento.
En la intimidad del corazón,
lo até, y quité el obstáculo,
teniendo a OM como látigo.

89.-
Aquel en quién la sílaba OM, es la única,
se eleva sin obstáculo, desde el centro del ombligo.
Aquel que, por el dominio del aliento,
hace un puente hasta la suprema Consciencia,
y lleva en su corazón éste único mantra,
¿para que querría un millar de mantras?

90.-
Cuando devine una con el Nombre Supremo (OM)
e hice de mi cuerpo un carbón ardiente,
transcendiendo los seis caminos, tome la vía verdadera.
Así, la permanencia de la Luz yo conseguí.

91.-
Oh dama, levántate, prepárate para el culto,
llevando el vino, la carne y el pastel sacrificial.
Si conoces el Supremo estado sin cambios,
come todo ello en compañía de los adeptos,
"Mano izquierda" o no, es igual;
¿habría ahí algún mal?

92.-
Cuando los cinco elementos hayas sacrificado,
esos hermosos carneros nutridos
por el alimento de la consciencia vigilante,
Entonces solamente, ¡oh impaciente!, conocerás
la suprema morada,
ritos y piedades ya no te atarán,
y la vía de la "mano izquierda" no te hará ningún mal.

93-94
Shiva es el caballo, Vishnu provee la silla,
Brahma de los estribos se ocupa.
Por la ciencia del yoga, el yogui reconocerá
que Dios es el caballero.

El Sonido sin sonido,
teniendo el espacio de la Consciencia como esencia,
el Vacío como ámbito.
Aquel que no tiene nombre, ni color, ni forma, ni linaje,
Aquel que, tomando conciencia de si, se vuelve resonancia y luz,
ese Dios será el caballero.

95.-
Solo Tu, oh Dios, impregnas las formas,
el mundo entero.
Solo Tu, oh Dios, das a los cuerpos el aliento de vida.
Solo Tu, oh Dios, resuenas en silencio,
¿Quién entonces, oh Dios, conoce Tu medida?

96.-
Aquel cuyo centro superior es la morada de Dios.
Aquel cuyo aliento nasal es mantenido por el Sonido inaudible,
Espontáneamente le ha abandonado el movimiento mental,
no conociendo otro Dios que el Si-mismo;
¿a quién podría rendir culto?

97.-
Solo hacia El, con todo mi ser he ido.
He escuchado sonar la campana de la Verdad.
Ahí mismo, en concentración, me he establecido.
Ahí he penetrado el Espacio y la Claridad.



¿CÓMO ALEJAR EL MIEDO DE LA MUERTE?


98.-
Abanico o palio real, carroza o trono,
festival o ballet o lecho cómodo:
¿cuál crees tu que es eterno?
llegada la muerte
¿cuál te disipará el miedo?

99.-
¿Por qué entonces, en tu confusión, te has hundido,
en estas corrientes del océano de la existencia?
¿Por qué has destruido el puente salvador?;
la densa oscuridad de la inercia te rodea.
A la hora del destino,
el dios de la muerte te llevara sangrante.
¿Quién te disipara el miedo de la muerte?

100.-
Dominando el aliento elimina
la dualidad y la triple impureza (infinitud, ilusión, acción)
Serás entonces honrado en el mundo superior.
Sube, sube más,
tras haber atravesado el orbe del sol (el conocimiento)
¡Así desaparecerá para ti el miedo a la muerte!

101.-
Con el hábito del conocimiento habiéndote vestido,
graba en tu corazón estos versos de Lalla.
Gracias a la sílaba OM, Lalla se ha absorbido en la luz de la Consciencia,
y para ella,
el miedo a la muerte ha desaparecido.



A TRAVES DE LAS PRUEBAS


102.-
Para realizar la Esencia innata (connatural),
paz y dominio no son apropiados.
Un simple deseo no conduce tampoco
a las puertas de la liberación.
Incluso si el hombre se ha disuelto en la contemplación,
como la sal en el agua,
incluso entonces, es raro que llegue a discernir
la Esencia connatural.

103-104.-
Yo, Lalla, salí, con la esperanza de expandirme
como la flor del algodón.
¡que de varazos recibí del limpiador y el cardador!
Después la hilandera, en la rueca,
fue sacando de mi finos hilos.
En el tejedor, en el telar colgada,
nuevos golpes me llovieron.

En el lavadero, por la lavandera fui golpeada,
después con arena y jabón bien frotada.
El sastre
con sus tijeras, me corto en trozos.
Entonces yo, Lalla,
encontré la Realización.

105.-
La cuerda que mantenía la carga de caramelos en mis espaldas,
se ha aflojado.
Mi torso doblado. ¿Cómo Lo conseguiré?
La palabra de mi Maestro, cayendo sobre mi, me ha magullado.
Mi rebaño no tiene ya pastor
¿Cómo Lo conseguiré?

106.-
Un arco de madera con una flecha de paja,
Un carpintero chapucero y un palacio a edificar,
En el centro del mercado
un tenderete sin cerrojo.
El cuerpo sin baño sagrado:
oh Padre, ¿quién sabe lo que me sucederá?

107.-
Con una cuerda mal trenzada
tiro de mi barca en el océano.
¿Dios me escuchará? ¿Me hará El navegar?
como agua en vasija de barro sin cocer,
así me voy a perder.
Mi alma está confusa. ¡ay!
¡como me gustaría volver a mi morada!

108.-
Alma agitada, no tengas miedo en ti,
el Eterno te cuida
y el sabe como apaciguar tu hambre.
¡Solo sobre El dirige tu llamada
para que te haga terminar la travesía!.

109.-
Muy derecha he venido,
muy derecha me iré de aquí.
A mi, tan derecha, ¿qué podría hacerme un ser torcido?
Desde el origen, El me conoce:
a alguien a quien El conoce ¿qué mal se le podría hacer?

110.-
En nada más que Eso puse yo mis esperanzas,
en nada más que Eso puse yo mi confianza.
Al fin, habiendo bebido el vino de mis versos,
cogí y derribé las tinieblas interiores,
las arranque y las hice añicos.

111.-
¿Cuándo la cadena de la vergüenza será cortada?
Cuando acoja censuras, insultos y mofas.
¿Cuándo el abrigo de la turbación podré tirar?
Cuando el deseo deje de agitar mi mente.

112.-
Malo o bueno, cualquiera que llegue
déjalo venir.
Mis oídos no escuchan nada
Mis ojos no ven.
Cuando la llamada de lo alto
viene a despertar mi corazón,
mi lampara se enciende porque ya no hay viento que la apague.

113.-
Me pueden infligir mil insultos,
que ninguna agitación morará en mi pensamiento.
Si verdaderamente a Shiva soy fiel,
¿una pizca de cenizas ensuciaría un espejo?

114.-
Que me censuren y me injurien,
que me digan lo que quieran,
que me honren,
o me regalen flores,
Nada de esto me ha tocado
¿qué queda de todo ello después?

115.-
Sabiendo, se ignorante
y viendo, ciego.
Oyendo bien, se sordo,
e insensible se en todo.
A todo lo que te digan,
di que "de acuerdo".
Esto es en verdad lo que hay que practicar
para conocer la Realidad.

116.-
Ten paciencia con el relámpago y el trueno,
ten paciencia con la oscuridad en pleno día,
ten la paciencia de pasar tu mismo por el molino.
Se dichoso; El vendrá por si mismo.

117.-
Firme y seguro el molino gira y gira (el camino místico)
El eje (el pensamiento orientado) sabe como accionar las piedras.
Cuando el molino gira, muele fino. (transforma lo grosero en sutil)
Al centro del molino llega entonces mas grano. (todos los aspectos de la vida se van purificando)

118.-
Oh cisne que eras, hete aquí mudo. (pérdida de las facultades limitadas individuales)
Alguien se ha ido robándote algo.
El molino parado, el conducto se obstruyó.
Y el molinero se fue llevándose el grano.
(Shiva, la Consciencia, todo se ha llevado)

119.-
Yo, Lalla, me agotaba
buscando y buscando más,
más allá de mis fuerzas.
Comenzando a ver, vi los cerrojos de Su puerta.
y todavía creció más mi anhelo,
la pasión en mi se volvió inquebrantable
y ahí mismo yo Le contemplé.



EL VACIO


120.-
Desapareció el Sol (el conocimiento)
y del claro de luna vino la luz.
Desapareció la luna (el sujeto cognoscente)
y solo el pensamiento quedó.
Desapareció el pensamiento y entonces,
ya nada en ningún lugar.
¿A dónde la tierra, el aire y el cielo han ido?

121.-
Desapareció el Tantra,
y quedó entonces el mantra.
Desapareció el mantra
y el pensamiento quedó.
Desapareciendo el pensamiento, entonces
ya nada en ningún lugar.
En el Vacío un vacío se ha absorbido.

122.-
Mata el deseo y discierne la Esencia aquí mismo.
Conocerla es un lujo; abandona las fantasías.
¡Ella está de ti tan próxima!
no la busques a lo lejos.
En el Vacío un vacío se ha absorbido.

123.-
El lago, lo recuerdo tres veces desbordado.
Una vez se diría que toco el cielo.
Desde el puente que va de Haramukh a Kaunsar.
Siete veces, me acuerdo, al vacío se absorbió el lago.
Durante eones de tiempo he visto,
la disolución de los mundos y su nacimiento.

124.-
Atravesaba yo sola la inmensidad del Vacío.
En mi no quedaba ni conocimiento ni razón.
Al verdadero Ser, al fin, me desperté,
entonces el Loto, saliendo de la boca,
a través de Lalla se expandió.



AMOR Y UNION


125.-
Me desgastaba los pies por los caminos
buscándole.
Al fin el Uno, hacia el Uno me indico el camino.
Vi que El en todo y por todo estaba,
a ningún lugar tendría que ir para encontrarlo.
¿Quién conociendo esto no queda arrebatado?
¿Cómo no quedar loco de alegría?

126.-
Buscando intensamente mi propio Ser, me agotaba:
nadie ha llegado así al conocimiento escondido.
Al fin, en El me absorbí,
y la bodega del néctar alcancé.
Ahí donde se encuentran tantas jarras llenas ...
pero nadie bebiéndolas.

127-128.-
Habiendo atravesado las diez direcciones,
a una sola me sujeté.
Me lancé e hice mi camino
en el vacío y el viento.
Veía a Shiva por todo, impregnando todo.
De mi los seis (sentidos) y las tres (impurezas) expulsé;
entonces Shiva se reveló.

El oro ha salido de la fundición, toda impureza ha desaparecido,
para eso lo he puesto en el crisol.
Lo fundí con el fuego del amor como el hielo
cuando el sol reaparece.
Entonces yo, Lalla, permanecí en paz,
Acordándome que "Yo" es Su nombre.

129.-
En la última vigilia, durante el claro de luna
con mi obstinada mente protestando,
apacigué mis penas con el amor de Dios.
Suavemente diciendo: "soy yo, Lalla, Lalla",
al Bien-amado despertaba.
En El absorbida y mi mente limpiada,
de los diez sentidos fui purificada.

130.-
Por las seis (Cualidades del Ser) yo fui,
por las seis yo soy.
Estoy, aquí, en el Ser completamente disuelta.
Queriendo ir, me había alejado,
ahora al volver, me he elevado.
Heme aquí, toda entera, en Dios mismo absorbida.

131.-
Aunque El este en el interior,
al principio fuera lo busqué.
Después el aliento sutil mis canales internos purificó.
Gracias a la contemplación
en el mundo no veo sino a Dios,
habiéndose perdido las formas en la unión.

132.-
En Ti mismo absorbida, Tu seguías escondido.
Pasaba el día buscándote a Ti y a mi.
Cuando en mi yo Te vi, oh Tu,
un arrebato sin limite sucedió,
en Ti y en mi.

133.-
Habiendo franqueado la puerta del jardín de mi corazón.
¡oh alegría! Vi a Shiva y a la Energía unidos.
Y allí mismo me absorbí en el lago de ambrosía.
Viva, heme aquí desde ahora muerta al mundo.
¿qué podría entonces el mundo hacerme?

134.-
¡Señor! No conocía ni el Ser ni lo Supremo,
y siempre de este cuerpo me preocupaba.
Que Tu eres yo, que yo soy Tu,
semejante unión no conocía.
preguntarse ¿quién soy yo? ¿quién eres Tu?...
¡es una duda sin sentido!

135.-
Vi que estaba en cualquier cosa,
en cualquier cosa Le he visto brillar.
Oye bien, permanece a la escucha
y podrás ver a Shiva, el raptor.
La casa es toda de El... que soy yo.



EL UNICO O LA NO-DUALIDAD VIVIDA


136-137.-
Yo apacigüe el amor en el fuego del amor.
Antes de morir yo morí toda entera.
Libre de forma en mi real naturaleza
¿Cuántas formas no habré desplegado?
El yo desaparecido ¿qué haré?
En la pérdida, perdí la pérdida.
La pérdida perdida,
volví al océano de la existencia.
Riendo, jugando, he obtenido
la revelación de la Esencia, aquí mismo.
De lo que aquí digo
yo misma soy la prueba.

138.-
Si conoces bien la Unidad,
ya no estás en ningún lugar.
Por la Unidad a la nada me reduje.
A pesar de que el Uno sea Unico,
yo conozco la guerra de los dos,
A pesar de que no tenga color ni forma,
en sus maravillosas formas estoy cogida.

139.-
Saliendo de la Interioridad en mi búsqueda ardiente,
me encontré en pleno claro de luna (el universo transfigurado)
En mi búsqueda ardiente
del mismo al mismo iba.
Tu solo, oh Shiva, Tu eres eso, solo Tu lo eres,
eso no es mas que Tu solo, oh Shiva
¿Cuál es el significado de tu juego?
¿No es toda esta maravilla creada por tu mirada?

140.-
La impureza se disolvió de mi pensamiento
como las cenizas de un espejo.
Entonces obtuve el Conocimiento
en este mundo mismo:
Cuando Lo vi tan próximo a mí,
supe que todo era El, y nada yo.

141.-
Es El quien ríe, es El quien estornuda, tose o bosteza,
es El quien se baña en los estanques sagrados,
El es, el asceta desnudo todo el año.
De ti está El tan próximo, ¡reconócele!

142.-
El agua, por el frío vencida,
en hielo o nieve se transforma.
Reflexiona como tres cosas que siendo diferentes
en la realidad no lo son.
Que brille el sol de la suprema Consciencia,
y entonces lo animado, lo inanimado,
el mundo entero es reconocido todo como Consciencia.
Y todo es igual.

143.-
Venido a este mundo del devenir,
he practicado la ascesis.
A la luz del Despertar
he descubierto la Esencia en este lugar.
Para mí nadie muere, y yo no muero para nadie.
Si muero esta bien,
y bien está si soy longevo.

144.-
Aquel para quién él mismo y el otro son iguales.
Aquel para quién el día y la noche se asemejan.
Aquel cuyo pensamiento está libre de dualidad,
ese solamente es el que ha visto al Soberano de los dioses.

145.-
A aquel que, con la vía del Cisne en la memoria
(la repetición natural y espontánea del mantra HAMSA con cada respiración)
sin cesar a Shiva invoca,
y que, aunque activo noche y día,
del fruto se ha despreocupado,
habiendo la dualidad dejado su pensamiento,
hacia él se muestra siempre benévolo
el Soberano de los dioses.

146.-
La Consciencia siempre es nueva,
el Yo Supremo siempre nuevo.
Veo siempre nuevo el universo transfigurado.
Después de que he, cuerpo y alma, purificado,
Heme aquí, Lalla, todavía y siempre nueva.

147.-
Todo acto que efectúo es un culto ofrecido,
toda palabra que pronuncio, un mantra es,
Todo lo que en mi cuerpo vivo,
ese Reconocimiento revela:
Esto, todo esto, es el Tantra del Supremo Shiva.

20100524

A Terra Oca e os Puranas



Os Puranas fazem vários comentários em relação ao fato de a Terra ser oca que não deveriam ser considerados levianos. Ainda que sejam superficiais, deve-se reconhecer seu impacto. Um desses comentários sobre o avatar Kalki afirma que, no final da era de Kali, Kalki nascerá na melhor de todas as famílias brâmanes da cidade de Shambala e que aniquilará os seres humanos degradados que restarem na superfície do planeta. Em seguida, a versão geral dos Puranas continua dizendo que os seres humanos subirão à superfície do planeta para recolonizá-lo e reiniciar a cultura védica. Vale notar que os Puranas mencionam Shambala como sendo uma cidade localizada no interior do planeta. Shambala não é considerada uma cidade do interior da Terra só nos Puranas, mas também na memória coletiva do Tibet.

Outra narrativa dos Puranas que comenta diretamente sobre a porção oca da Terra se relaciona ao avatar Parasurama, e se encontra no Nono Canto, Capítulo 16, Textos 19 - 21, do Bhagavatam. O 19º texto diz que Ele entrou em confronto com a casta dos guerreiros 21 vezes e livrou a superfície da Terra de todos eles. A palavra usada para indicar a face da Terra foi Prithivim. Parasurama


Em seguida, o texto explica que Parasurama distribuiu os oito pontos cardeais para certos rishis. Isso só tem sentido na medida em que Ele parecia estar desgostoso com a casta dos guerreiros. É claro que, por serem membros da casta sacerdotal, os rishis são diferentes dos guerreiros, sendo tolerantes, intelectuais, praticantes da bondade, etc..


Depois de mencionar os oito pontos cardeais e os rishis que obtiveram domínio sobre essas regiões, encontramos menção a "madhyayatah", ou seja, a região do meio (interior); o Bhagavat Purana diz que a região do meio foi distribuída a Kashyapa Rishi. Assim, adotando uma narração descritiva, e depois de mencionar a superfície ou a “face” do mundo, o Bhagavat Purana segue praticamente num só fôlego mencionando a porção do meio da Terra.

Tanto a terminologia usada como o roteiro da narrativa a respeito do avatar Parasurama favorece diretamente a Teoria da Terra Oca.

Os Puranas contam ainda outra história famosa que menciona abertamente a porção oca
da Terra. Trata-se da história dos filhos de Maharaj Sagara. Indra havia roubado o cavalo destinado ao sacrifício ashvamedha (um tipo de sacrifício de fogo). Segundo a história, seus filhos saíram em busca do cavalo e chegaram a um oceano ao Norte pelo qual navegaram até adentrar as “entranhas” da Terra.
Lá dentro, no eremitério de Kapila Rishi, eles acabaram encontrando o cavalo. Ainda que o rishi tivesse jurado que não roubara o cavalo, os filhos de Sagara o maltrataram. O que podemos concluir desta história?

Bem, primeiro podemos concluir que os filhos de Maharaj Sagara eram um bando verdadeiramente rude por terem maltratado o rishi! Entretanto, observando mais seriamente, percebe-se a correspondência existente com as indicações a respeito da existência de aberturas próximas das áreas polares do nosso planeta obtidas pelos investigadores da Terra oca (sendo que estes suportam suas alegações com várias evidências). Isso explicaria ter de se atravessar um oceano ao Norte para entrar no interior do planeta.

O Bhagavat Purana não se detém em descrições muito detalhadas como ocorre com outrosPuranas; o Bhagavat apenas afirma que os filhos de Sagara seguiram no rumo nordeste. Mas mesmo esta afirmativa parece confirmar a localização da abertura segundo os investigadores da Terra oca, que a situam a Norte e Leste da península russa de Severnaya Zemlya. É interessante notar que para atingir esta região a partir da Índia a pessoa teria de viajar no rumo Nordeste!

Há outro ponto digno de menção que podemos garimpar nesta narrativa: a cultura védica floresceu na Terra oca a tal ponto que o próprio Kapila Rishi chegou a manter seu eremitério por lá. Isso vem de encontro às descrições apresentadas por Olaf Jansen, o jovem norueguês que revelou ter passado pela abertura navegando com o pai no veleiro dele. Olaf descreveu ter encontrado uma sociedade humana que mostra correspondência com as descrições dos Puranas de antes do início da Kali Yuga. Ele descreveu seres humanos com cerca de 4 a 5 metros de altura que viviam por aproximadamente 1.000 anos, tinham memória fotográfica, falavam sânscrito e adoravam o sol interior.

Bhagavat Purana

Contudo, surge aqui uma pergunta óbvia: por que então os Puranas não falam diretamente a respeito da Terra oca?

Lembremos que estes Puranas foram escritos no limiar de duas yugas, antes que o esquecimento e a ignorância característicos da Kali Yuga começassem a se manifestar. Talvez essa seja a razão porque os Puranas falam da Terra oca como se assumissem que as pessoas naturalmente compreendem o assunto, e, portanto, não oferecem nenhuma explicação especial a esse respeito. Do mesmo modo, se um escritor tivesse que contar a história da batalha decisiva da Revolução Americana, ele poderia explicar que os franceses bloquearam o recuo dos Ingleses por mar; e assim o escritor provavelmente seguiria com a história. Ele assumiria que os leitores sabem quem são os franceses, que eles vieram do outro lado do Atlântico, e que o oceano existe de verdade. O escritor obviamente nem pensaria em explicar e substanciar a existência dos franceses ou do oceano no decorrer de sua narrativa da Revolução Americana. Parece que, do mesmo modo, os Puranassimplesmente mencionam as “entranhas” da Terra e o eremitério de Kapila Rishi por lá, durante a narrativa, sem oferecer maiores explicações a respeito do assunto.

A evidência dos Puranas é de grande interesse para os adeptos da Teoria da Terra Oca; constitui-se num marco adicional ao corpo de evidências sobre a Terra oca. É interessante observar que as lendas tibetanas a respeito da Terra oca foram popularizadas entre os proponentes da teoria há já muito tempo, até mesmo culminando, na década de 30, na produção de um filme de longa metragem intitulado “Shangri La”, o qual foi refilmado nos anos 70. Talvez isso tenha acontecido devido ao impacto do livro “Shambala” escrito por Nicholas Roerich e publicado em 1930. Ele esteve no Tibet e relatou em seu livro o rico folclore relacionado à Terra oca, mencionando as cidades de Shambala, Shangri La, e o reino de Agharta. É muito provável que as lendas tibetanas sobre a Terra oca tenham se conservado melhor devido aos túneis que, segundo consta, ligam Agharta ao Tibet – é possível que seja por isso que os tibetanos tenham ficado sob a influência da Terra oca por um período de tempo mais longo.

O conteúdo dos Puranas a respeito da Terra oca não tem sido muito reconhecido no ocidente, uma vez que nós sempre experimentamos os Puranas filtrados por indologistas ocidentalizados, que, ao empreenderem seus estudos das literaturas védicas, conheciam muito pouco a respeito do folclore da Terra oca, e sequer procuravam pistas a respeito da verdadeira configuração geológica de nosso planeta.

Esses comentários a respeito da Terra oca devem ter passado desapercebidos para eles, como aconteceu com vários outros comentários que encontramos na literatura védica. Quando os ingleses começaram a estudar a literatura védica depois de sua invasão da Índia há 200 anos, notaram a existência de textos descrevendo naves voadoras (vimanas), flechas e discos capazes de perseguir alvos em fuga, armas ativadas por mântras, e ainda a respeito de seres de outros planetas com inacreditável longevidade e identificados como sendo os progenitores da humanidade. É claro que os ingleses naturalmente descartaram esses comentários, considerando que estavam diante de mera história da carochinha. Mas vemos que hoje em dia algumas desses mecanismos viraram realidade; testemunhamos o aparecimento da aviação, de mísseis teleguiados e de armas ativadas por voz. Por conseguinte, há razão para revermos as narrativas dos Puranas usando agora uma lente grande angular – e isso não apenas em relação aos comentários a respeito da Terra oca, mas em geral, ainda que os comentários a respeito das entranhas da Terra, do eremitério de Kapila Rishi, de Shambala e outros certamente mereçam um enfoque especial.

Dean Dominic De Lucia

20100327

Nirvana Shatkam Adi Shankaracharya



As seis estrofes da iluminação.
mano-buddhyahankara-chittani naham
na cha shrotra-jivhe na cha ghrana-netre
na cha vyoma-bhumih na tejo na vayuh
chidanandarupah shivo ham shivo ham 1
Não sou mente nem razão, não sou ego nem consciência;
não sou audição, nem paladar, olfato nem visão;
não sou espaço nem terra; não sou luz nem ar.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
na cha pranasañjño na vai pañchavayuh
na va saptadhaturna va pañchakoshah
na vak panipadau na chopasthapayu
chidanandarupah shivo ham shivo ham 2
Não sou o que se conhece como energia, nem os cinco alentos vitais;
nem os sete elementos, nem os cinco corpos;
não sou fala, nem mãos ou pés; nem sexo nem eliminação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
na me dvesha-ragau na me lobha-mohau
mado naiva me naiva matsaryabhavah
na dharmo na chartho na kamo na mokshah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 3
Não tenho apego nem aversão; nem ambição, nem ilusão;
orgulho e inveja não são meus;
não tenho deveres, nem objetivos, nem desejos, nem busco a libertação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
na punyam na papam na saukhyam na duhkham
na mantro na tirtham na veda na yajïah
aham bhojanam naiva bhojyam na bhokta
chidanandarupah shivo ham shivo ham 4
Não sou virtude, nem erro; nem alegria nem sofrimento;
nem os mantras, nem os lugares sagrados; nem as escrituras, nem os rituais;
não sou o prazer, nem o que produz o prazer, nem aquele que o desfruta.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
na me mrtyushanka na me jatibhedah
pita naiva me naiva mata na janma
na bandhurna mitram gururnaiva shishyah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 5
Não sou morte nem medo; não tenho classe social;
nem pai, nem mãe, nem nascimento são meus;
não tenho parentes nem amigos; nem mestre nem discípulos.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
aham nirvikalpo nirakara-rupo
vibhurvyaapya sarvatra sarvendriyanam
sada me samatvam na muktirna bandhah
chidanandarupah shivo ham shivo ham 6
Sou imutável, sem estrutura nem forma;
não sou escravo dos sentidos. Permeio todo o existente.
Sou o todo. Estou além dos condicionamentos e da libertação.
Em forma de consciência e felicidade, eu sou Shiva, eu sou Shiva.
Tradução por Pedro Kupfer.

Brihadaranyaka Upanishad



Conduza-me da confusão para a Realidade.
Conduza-me das Trevas para a Luz.
Conduza-me da Morte para a Imortalidade!
Apresentamos ao amigo leitor um pequeno extrato da Brihadaranyaka Upanishad, uma
das mais antigas obras filosóficas da Humanidade, faz parte do texto Shatapatha
Brahmana (शतपथ 'ा(ण), o “Brahmana dos Cem Caminhos”, que narra, entre outras
coisas, o Dilúvio. O Shatapatha Brahmana faz parte do Shukla Yajur Veda, o Yajur Veda
Branco. O título deste texto, que pode soar bastante complicado, poderia ser traduzido
mais ou menos livremente como “A Grande Floresta do Conhecimento”.
Esta Upanishad nos narra um duelo entre o yogi Yajñavalkya e uma assembléia de
sábios, convocada pelo rei Janaka, de Videha. Este rei, pai da princesa Sita, heroína do
épico Ramayana, é tido na Índia antiga como o paradigma da magnanimidade.
Diferentemente do “pão e circo” dos antigos romanos, os duelos dentro do hinduísmo
eram intelectuais e estimulavam a liberdade, o auto-conhecimento e a reflexão, ao invés
de funcionar como escapismo barato.
Afora o diálogo entre o sábio Yajñavalkya e os brâhmanes, contém outro diálogo muito
interessante dele com sua esposa, Maitreyi, quando ele está prestes a partir para a
floresta, a fim de se dedicar ao auto-conhecimento (brahmavidya).
"Janaka, rei de Videha, estava preparando um grande ritual do fogo. Eram abundantes as
oferendas que seriam dadas aos sacerdotes. Todos os brâhmanes de Kurupañchala
tinham se reunido nessa assembléia.
O rei, sentindo uma grande curiosidade por descobrir qual desses sábios era o mais
versado em seu conhecimento dos textos sagrados, reuniu mil vacas e decorou seus
chifres com dez pés de ouro.
Depois, o rei dirigiu-se aos sábios dizendo assim:
- "Veneráveis brâhmanes, aquele que dentre vocês seja o maior conhecedor de Brahman,
poderá levar estas vacas!"
Nenhum dos brâhmanes se atreveu a mexer. Então, Yajñavalkya disse ao seu discípulo:
- "Meu querido Samasravas, leve embora este gado!" E ele assim o fez.
Os outros brâhmanes sentiram-se muito envergonhados, e questionavam-se entre si:
"Como é que ele, dentre todos nós, atreve-se afirmar que possui o melhor conhecimento
de Brahman?"
Naquele momento, Ashvala, que era o sacerdote oficiante de Janaka, disse a
Yajñavalkya:
1
- "Como pode ser que, de todos nós, você tenha o mais perfeito conhecimento de
Brahman? Permita-nos pois, prestar reverências àquele que melhor conhece Brahman.
Não entanto, nós também gostariamos de ficar com essas vacas".
E Asvala interrogou-o longamente [...]
Depois muitos dos brâhmanes fizeram as suas perguntas: - "Yajñavalkya", disse
Jaratkarava Arthabhaga, "como todas as coisas são o alimento da morte, em qual dos
fenômenos naturais é a morte o alimento?"
"O fogo é a morte e o alimento da água. Aquele que sabe isto vence a morte repetidas
vezes".
- "Yajñavalkya, quando o homem morre, seus alentos vitais, permanecem ou não no
corpo?"
- "Não, disse Yajñavalkya. "Eles são reunidos aqui, neste corpo, e eles o preenchem e
enrijecem. Uma vez assim preenchido, o corpo mantém-se morto".
- "Yajñavalkya, quando um homem morre, o que não o abandona?"
- "O nome, porque o nome é ilimitado, e ilimitados são Todos-os-deuses, e é ilimitado o
estado que ele alcança por este caminho".
- "Yajñavalkya, quando um homem morre, e sua voz entra no fogo, seu alento vital no
vento, sua visão no sol, seu buddhi na lua, sua audição nos pontos cardeais, seu corpo na
terra, seu ego no espaço, seus pêlos nas plantas, seus cabelos nas árvores, e seu sangue e
sêmen descansam nas águas, onde, pois, se encontra aquele homem?"
- "Arthabhaga, meu amigo, tome minha mão", disse Yajñavalkya. "Iremos só nós dois
conversar sobre isto, porque não é assunto para se falar em público".
Eles conversaram sobre o karma. Eles enalteceram o karma. Através de boas obras um
homem se torna bom. Através das equivocadas, ele se torna mau. Então, Jaratkarava
Arthabhaga permeneceu em paz.
Depois foi a vez da Ushasta Chakrayana interrogar o sábio.
- "Yajñavalkya, explique-me àquele Brahman que é evidente e claro, o Ser que permeia
todas as coisas".
- "o Ser que permeia todas as coisas é o que você é".
- "Mas quem é esse que permeia todas as coisas, Yajñavalkya?"
- "Aquele que inspira com a inspiração é o Ser que está em ti e permeia todas as coisas;
aquele que respira juntamente com a sua "respiração difusa" é o Ser que está em você e
permeia todas as coisas. O que respira juntamente com a sua "respiração superior" é o
Ser que está com você e permeia todas as coisas: Ele é o ser que está em você e permeia
todas as coisas".
2
Ushasta Chakrayana disse:
- "O seu modo de ensinar é exatamente igual ao do homem que diz: “Aquela é uma
vaca, e este é um cavalo”. Explique-me sobre aquele Brahman que é realmente evidente
e claro, o Ser que permeia todas as coisas".
- "o Ser que permeia todas as coisas é o que você é".
- "Mas, Yajñavalkya, qual é o ser que permeia todas as coisas?
- "Como você poderia ver àquele que vê a visão? Como você poderia ouvir o ouvinte da
audição? Como poderia pensar no pensador do pensamento? Como poderia entender o
entendedor do entendimento? Este Ser que permeia todas as coisas está em você.
Aqueles que não forem conscientes do Ser, vivem sofrendo".
Então, Ushasta Chakrayana calou-se.
Sobre o desapego.
Ergueu-se então Kahola Kaushitakeya e disse:
- "Yajñavalkya, explica-me sobre o Brahman que é evidente e claro, o Ser que permeia
todas as coisas".
- "o Ser que permeia todas as coisas é o que você é".
- "Mas Yajñavalkya, qual é o Ser que permeia todas as coisas?"
- "Aquele que transcende a fome e a sede, o sofrimento, a ignorância e a morte. Quando
os sábios chegam ao conhecimento deste Ser, erguem-se acima dos seus desejos de
terem filhos, dos seus desejos de possuir riquezas, dos seus sonhos de grandeza, e
vagueiam, levando uma vida de mendicantes. Não existe nenhuma diferença entre o
desejo de ter filhos, e o de ter riquezas, assim como não existe nenhuma diferença entre
o desejo de possuir riquezas e os sonhos de grandeza: todos eles não passam de desejos.
Que o sábio se afaste dos estudos com desapego e viva como uma criança. Que ele se
afaste com desapego, tanto dos estudos e do viver como uma criança, e que se torne um
sábio silencioso. Que ele se afaste com desapego; do silêncio e do seu oposto, e que se
torne um verdadeiro sábio".
- "E o que o faz, realmente, um sábio?"
- "Tudo quanto, realmente, o conduz para isso. Aqueles que não forem conscientes do
Ser, sofrem [sem cessar]".
Então Kahola Kaushitakeya calou-se.
A seguir, Uddalaka Aruni disse:
3
- "Yajñavalkya, nós vivíamos no povo dos Madras, em casa de Patañjala Kapya,
enquanto estudávamos o ritual do fogo sagrado. Sua esposa era possuída por um
espírito, e nós perguntamos-lhe quem ele era. Ele respondeu-nos ser Kabandha
Atharvana e, dirigindo-se a Patañjala Kapya e seus estudantes, disse: "Kapya, você
conhece o fio que une e mantêm unidos este mundo, o outro mundo, e todos os seres?".
"Patañjala Kapya respondeu:
"Não senhor, não conheço".
"Dirigindo-se novamente a Patañjala Kapya e aos estudantes do ritual do fogo, ele
disse:
"Kapya, você conhece a Harmonia Intrínseca que rege a ordem neste mundo e no outro,
e em todos os seres, internamente?" "Patañjala Kapya respondeu:
"Não senhor, não o conheço".
Falando outra vez a Patañjala e seus estudantes, [o espírito] disse:
"Kapya, aquele que conhece o fio e a Harmonia Intrínseca, conhecerá também
Brahman, todos os mundos, os deuses, os Vedas, todos os seres, o Ser, - Tudo!"
Foi assim que ele falou. "Agora, eu conheço tudo isso. Se você; Yajñavalkya, tiver
conduzido o gado sem ter conhecimento do fio e da Harmonia Intrínseca, sua cabeça
será decepada".
- "Com toda certeza, conheço o fio e a Harmonia Intrínseca".
- "Qualquer um pode dizer, "eu sei, eu sei", respondeu ele. Exponha seu conhecimento".
Prana e Consciência .
- "O prana, Gautama, é o fio", disse Yajñavalkya. "Através desse fio que é o prana, este
mundo, o outro mundo e todos os seres, permanecem unidos. É por isso que se diz, ó
Gautama, que os membros de um cadáver se desagregam,já que foram arranjados e
receberam coesão pelo prana, Gautama!".
- "Muito correto, Yajñavalkya: fale-nos agora sobre a Harmonia Intrínseca".
o Ser e a Natureza.
- "Aquele que estando nesta terra é diferente da terra, e a quem a terra não conhece, cujo
corpo é a terra, que harmoniza a terra interiormente - aquele é o Ser que você é, a
Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na água é diferente da água, a quem a água não conhece, cujo
corpo é a água, que harmoniza a água interiormente, - aquele é o Ser que você é, a
Harmonia Intrínseca, o Imortal".
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"Aquele que estando no fogo é diferente do fogo, a quem o fogo não conhece, cujo
corpo é o fogo, que harmoniza o fogo interiormente, aquele é o Ser que você é, a
Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na atmosfera é diferente da atmosfera, a quem a atmosfera não
conhece, cujo corpo é a atmosfera, que harmoniza a atmosfera interiormente, - aquele é
o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando no vento é diferente do vento, a quem o vento não conhece, cujo
corpo é o vento, que harmoniza o vento interiormente, - aquele é o Ser que você é, a
Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando no céu é diferente do céu, a quem o céu não conhece, cujo corpo é
o céu, que harmoniza o céu interiormente, - aquele é o Ser que você é, a Harmonia
Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando no sol é diferente do sol, a quem o sol não conhece, cujo corpo é o
sol, que harmoniza o sol interiormente - aquele é o Ser que você é, a Harmonia
Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando nas direções da terra é diferente das direções da terra, a quem os
pontos cardeais não conhecem, cujo corpo é feito de pontos cardeais, que harmoniza
intimamente os pontos cardeais, - aquele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o
Imortal".
"Aquele que estando na lua e estrelas é diferente da lua e das estrelas, a quem a lua e as
estrelas não conhecem, cujo corpo é feito da lua e das estrelas, que harmoniza a lua e as
estrelas interiormente - aquele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando não espaço é diferente do espaço, e quem o espaço não conhece,
cujo corpo é feito do espaço, que harmoniza interiormente o espaço - aquele é o Ser que
você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na escuridão é diferente da escuridão, a quem a escuridão não
conhece, cujo corpo é a escuridão, que harmoniza interiormente a escuridão - aquele é o
Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na luz é diferente da luz, a quem a luz não conhece, cujo corpo é a
luz, que harmoniza interiormente a luz - aquele é o Ser que você é, a Harmonia
Intrínseca, o Imortal".
Sobre todos os seres.
"Falei em relação às forças da natureza; agora, irei versar sobre todos os seres:
"Aquele que estando em todos os seres é diferente de todos os seres, a quem por sua vez
os seres não conhecem, cujo corpo é o corpo de todos os seres, que harmoniza
interiormente todos os seres, aquele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o
Imortal".
5
Sobre o corpomente.
"Isto foi em relação aos seres. Agora, em relação ao próprio corpomente!
"Aquele que estando no alento vital é diferente do alento vital, a quem o alento vital não
conhece, cujo corpo é o alento vital, que harmoniza interiormente o alento vital, - aquele
é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na fala é diferente da fala, a quem a fala não conhece, cujo corpo é
a fala, que harmoniza interiormente a voz - aquele é o Ser que você é, a Harmonia
Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na visão é diferente da visão, a quem a visão não conhece, cujo
corpo é a visão, que harmoniza a visão interiormente - aquele é o Ser que você é, a
Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na audição é diferente da audição, a quem a audição não conhece,
cujo corpo é a audição, que harmoniza a audição interiormente - aquele é o Ser que você
é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na inteligência é diferente da inteligência, a quem a inteligência
não conhece, cujo corpo é o intelecto, que harmoniza interiormente a inteligência, -
aquele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na pele é diferente da pele, a quem a pele não conhece, cujo corpo
é a pele, que harmoniza interiormente a pele, - aquele é o Ser que você é, a Harmonia
Intrínseca, o Imortal".
"Aquele que estando na compreensão é diferente da compreensão, a quem a
compreensão não conhece, cujo corpo é a compreensão, que harmoniza a compreensão
interiormente, - aquele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca, o Imortal".
"Ele é o observador não observado, aquele que ouve sem ser ouvido, aquele que pensa
sem ser pensado, aquele que compreende sem ser compreendido. Nenhum outro
observador chega onde ele está, nem outro ouvinte, nem outro pensador, nem outro
entendedor consegue ser melhor que ele: Ele é o Ser que você é, a Harmonia Intrínseca,
o Imortal. Todos aqueles que vêm a si mesmos como sendo diferentes dele, sofrem.
Uddalaka Aruni calou-se.
Então Gargi Vachaknavi disse:
"Veneráveis brâhmanes, ouçam. Farei duas perguntas a Yajñavalkya. Se ele as
responder, nenhum de nós será capaz de derrotá-lo na discussão sobre a natureza de
Brahman".
- "Faça as perguntas, ó Gargi", disse Yajñavalkya.
Ela disse:
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- "Yajñavalkya, tal como um jovem herói da família dos Kashyas ou Videhas que, tendo
peparado o seu arco, segura duas flechas mortíferas em sua mão e avança contra seus
inimigos, assim avanço eu em direção a você com minhas duas perguntas".
o Ser e a Criação.
- "Faça as perguntas, Gargi", repetiu ele.
E ela disse:
- "Yajñavalkya, aquilo que está por cima do céu e por baixo da terra, aquilo que está
entre o céu e a terra, - aquilo sobre quem os homens falam como sendo passado,
presente e futuro: em que é aquilo tecido, tramado e urdido?"
Ele respondeu:
- "Gargi, aquilo que está por cima do céu e por baixo da terra, aquilo que está entre o
céu e a terra, - aquilo sobre o qual os homens falam como sendo passado, presente e
futuro: aquilo é tecido, tramado e urdido no espaço"
Ela disse:
- "Todas as honras lhe são devidas, ó Yajñavalkya, por ter decifrado essa pergunta.
Prepare-se para a outra".
"Pergunte-me, ó Gargi" - disse Yajñavalkya.
Ela disse:
"Yajñavalkya, o que é aquilo que está por cima do céu e por baixo da terra, aquilo que
está entre o céu e a terra, - aquilo de que os homens definem como sendo passado,
presente e futuro, em que isso é tecido, fiado e urdido?"
Ele disse:
"Gargi, aquilo que está por cima do céu, por baixo da terra, entre o firmamento e a terra,
- aquilo do qual os homens falam como sendo passado, presente e futuro: Aquilo é
tecido, fiado e urdido no espaço".
- " Em que é, então, tecido o espaço?"
- Ele disse:
"Gargi, aquilo é o que os sábios chamam o Imperecível!
"Aquilo não é denso nem sutil; grande nem pequeno; não é incandescente como o fogo
nem fluido como a água. Aquilo não faz sombra, nem é escuridão. Aquilo não é vento
nem espaço. Aquilo não está ligado a nada. Aquilo não é o paladar nem o olfato; Aquilo
não é a visão nem a audição; Aquilo não é a palavra nem buddhi; Aquilo não a luz nem
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vida; Aquilo não tem face nem medida; Aquilo não tem dentro nem fora. Aquilo a nada
devora e por nada pode ser devorado.
A harmonia nas leis da Criação.
"É graças a esse Imperecível, Gargi, que o sol e a lua mantêm-se afastados, e assim
continuam. É graças a esse Imperecível, Gargi, que o céu e a terra mantêm-se afastados,
e assim continuam. É graças a esse Imperecível, Gargi, que segundos e minutos, dias e
noites, quinzenas, meses, estações e anos se sucedem, e assim continuam.
É graças a esse Imperecível que alguns rios, ó Gargi, correm das montanhas imponentes
para o Leste, e outros para o Oeste, cada qual seguindo seu curso pré-estabelecido. É
graças a esse Imperecível, ó Gargi, que as gentes elogiam os magnânimos. É graças a
esse Imperecível que os deuses dependem do pujari e os ancestrais dependem dos
rituais oferecidos por seus descendentes.
"Todas as oblações que um homem possa oferecer neste mundo, ó Gargi, todos os
rituais purificatórios que ele possa praticar, todas as asceses que ele possa impor a si
mesmo, ainda que tudo isso se mantenha por milhares de anos, tudo terá um fim, a não
ser que ele conheça esse Imperecível!
"Gargi, lamentemo-nos por todos aqueles que abandonam este mundo sem atingir o
conhecimento do Imperecível! Porém, Gargi, aquele que parte deste mundo conhecendo
o Imperecível, é em verdade um sábio, pois ele é conhecedor de Brahman.
"Gargi, esse mesmo Imperecível é observador não observado, o ouvinte que não é
ouvido, o pensador que não é pensado, o compreendedor que não é compreendido. Não
existe outro observador senão Ele. Não existe outro ouvinte senão Ele. Não existe outro
pensador senão Ele. Não existe outro compreendedor senão Ele. É nesse Imperecível, ó
Gargi, que o espaço é tecido".
Então, Gargi disse: "Veneráveis brâhmanes, devem considerar-se muito afortunados se
conseguirem livrar-se deste homem apenas prestando-lhe homenagens, porque nenhum
de vocês será capaz de derrotá-lo numa discussão sobre Brahman". E ela, Gargi
Vachaknavi, calou, ficando em paz.
Yajñavalkya disse então:
- "Veneráveis brâhmanes, que algum de vocês, se assim desejar, me interrogue, ou então
todos vocês podem questionar-me; ou ainda, eu interrogarei algum de vocês, ou poderei
interrogar todos vocês juntos".
Porém, nenhum dos brâhmanes atreveu-se a interrogá-lo. Então, ele os questionou
através deste poema:
- "Tal como é majestosa a árvore, suprema na floresta, da mesma forma é, em verdade, o
Homem. Seus cabelos são como as folhagens. Sua pele, a casca externa. Sob sua pele
corre o sangue, assim como corre a seiva sob a casca da árvore. Quando ferido, a seiva
escorre do seu corpo, como da planta cortada. Sua carne é a casca interna. Seus
membros rígidos, como a madeira do tronco. Seus ossos são o cerne. Assim como da
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raiz da árvore derrubada cresce uma nova, como, e de que raiz, irá crescer o homem
mortal, quando este é derrubado pelo Rei da Morte?
"Não respondam, "do sêmen", porque ele nasce de alguém que está vivo. A árvore que
cresce da semente, após secar, rebrota outra vez. Arranquem, porém, a árvore pela raíz e
ela não tornará a crescer. Da mesma forma, quando a Morte arranca o Homem mortal
pelas raízes, de que raiz irá ele crescer? Tendo nascido, ele não volta a nascer. Quem é
que iria gerá-lo outra vez? Brahman é o entendimento, o contentamento. Ele próprio é a
dádiva, o sankalpa do ofertante, a meta de quem, pacientemente, espera para conhecêlo".
Yajñavalkya e Maitreyi
"Maitreyi, minha querida," disse Yajñavalkya, "Vou renunciar a esta vida. Permita-me
fazer uma partilha final (dos meus bens) entre você e Katyayani."
Então, Maitreyi disse: "Venerável senhor, se de fato, a terra inteira, com todos seus
tesouros me pertencesse, alcançaria eu a imortalidade através desses bens?" "Não,"
respondeu Yajñavalkya, "sua vida seria apenas igual à daqueles que têm riquezas. No
entanto, não há a mínima chance da imortalidade ser obtida através da abundância."
Então Maitreyi disse: "O que deveria eu fazer então, com aquilo que não me torna
imortal? Ensine-me, venerável senhor, sobre aquele que você conhece como o único
meio de se alcançar a imortalidade."
Yajñavalkya respondeu: "Minha querida, você já era minha amada antes, e agora
menciona o assunto que me é mais caro. Venha e sente-se: irei lhe explicar. Enquanto
lhe explico, medite sobre minhas palavras."
Então Yajñavalkya disse:
"Em verdade, não é pelo amor ao esposo, minha querida, que o esposo é amado: ele é
amado pelo amor ao Ser que, em sua verdadeira natureza, é uno com o Ser Ilimitado.
"Em verdade, não é pelo amor à esposa, minha querida, que a esposa é amada: ela é
amada pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor aos filhos, minha querida, que os filhos são amados: eles
são amados pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor à riqueza, minha querida, que a riqueza é buscada: ela é
buscada pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor aos educadores, minha querida, que o educadores são
venerados: eles são venerados pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo respeito aos guerreiros, minha querida, que os guerreiros são
respeitados: eles são amados pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor ao mundo, minha querida, que o mundo é amado: ele é
amado pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor aos elementais da natureza, minha querida, que os os
elementais da natureza são amados: eles são amados pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor aos seres vivos, minha querida, que os seres vivos são
amados: eles são amados pelo amor ao Ser.
"Em verdade, não é pelo amor ao Todo, minha querida, que o Todo é amado: ele é
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amado pelo amor ao Ser.
O Ser deve ser conhecido .
"Em verdade, minha querida Maitreyi, é o Ser quem deve ser conhecido. Palavras sobre
ele devem ser ouvidas. Reflexões e meditações sobre essas palavras devem ser feitas.
Pelo conhecimento do Ser, minha querida, através da audição, a reflexão e a meditação,
tudo é conhecido.
"O educador rejeita àquele que enxerga a si mesmo como sendo diferente do Ser. O
guerreiro rejeita àquele que enxerga a si mesmo como sendo diferente do Ser. O mundo
rejeita àquele que enxerga a si mesmo como sendo diferente do Ser. Os deuses rejeitam
àquele que enxerga a si mesmo como sendo diferente do Ser. Os seres rejeitam àquele
que enxerga a si mesmo como sendo diferente do Ser. O Todo rejeita àquele que enxerga
a si mesmo como sendo diferente do Ser. O educador, o guerreiro, o mundo, os deuses,
estes seres vivos, o Todo, são o Ser.
Yajñavalkya e Vidaghdha
A palavra Deus não existe em sânscrito com o sentido que lhe damos no Ocidente. Claro
que alguém poderá ver deuses nos mantras hindus. Pessoalmente, prefiro ver os devas,
os "deuses" hindus, como elementais da natureza, formas de energia ou representações
simbólicas intuitivas das camadas da existência que transcendem a mente. A
Brihadáranyaka Upanishad (III:9) deixa isso bem claro neste diálogo:
"Então Vidagdha Shákalya perguntou: - Quantos deuses existem, Yajñavalkya?
O sábio respondeu de acordo com o seguinte nivid (fórmula invocatória):
- Tantos como são mencionados no nivid do hino a todos os deuses, ou seja, 303 mais
3003 ( = 3306).
- Sim - disse Shákalya - mas quantos deuses existem mesmo, Yajñavalkya?
- Trinta e três.
- Sim - disse ele - mas quantos deuses há mesmo, Yajñavalkya?
- Três.
- Sim - disse ele - mas quantos deuses existem mesmo, Yajñavalkya?
- Dois.
- Sim - disse ele - mas quantos deuses há, Yajñavalkya?
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- Um e meio.
- Sim - disse ele - mas quantos deuses existem, Yajñavalkya?
- Um.
- Sim - disse ele - mas quais são os 303 e os 3003 deuses?
Yajñavalkya disse: - Esses são apenas seus poderes (mahima). Eles são somente trinta e
três.
- E quais são esses trinta e três?
- Oito Vasus, onze Rudras e doze Ádityas fazem trinta e um. Com Indra e Prajapati são
trinta e três.
- Quais são os Vasus?
- O fogo, a terra, o vento, o sol, o céu, a lua e as estrelas. Estes são os Vasus pois
configuram este excelente (vasu) mundo. Por isso são chamados Vasus.
- Quais são os Rudras?
- Os dez ares vitais do indivíduo, mais a consciência, que é o décimo primeiro. Quando
eles partem deste corpo mortal, nos fazem chorar (rudra = chorar, gritar). Por isso é que
eles são chamados Rudras.
- Quais são as Ádityas?
- Elas são as doze luas do ano. Elas são as Ádityas, porque carregam o mundo inteiro ao
longo do tempo. Como elas andam (yanti) carregando (ádá) o mundo, são chamadas
Ádityas.
- Qual é Indra? Qual é Prajapati?
- O trovão é Indra. O sacrifício é Prajapati.
- Qual é o trovão?
- O raio.
- Qual é o sacrifício?
- Os animais sacrificais.
- Quais são os seis deuses?
- O fogo, a terra, o vento, a atmosfera, o sol e o céu. Eles são seis pois o mundo inteiro é
esses seis.
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- Quais são os três deuses?
- Os três mundos (bhúr, bhuva, sváhá), pois é neles que todos estes deuses existem.
- Quais são os dois deuses?
- O alimento e a respiração.
- Qual é o um e meio?
- Aquele que purifica (o vento).
- Mas aquele que purifica é somente um. Como pode ele ser um e meio?
- Porque nele o mundo inteiro prosperou (adhyardhnot). Então, ele é um e meio
(adhyardha).
- Qual é o deus único?
- A respiração. Ela é chamada Brahman, o Ilimitado."
A conclusão sobre este diálogo, extraído de uma das mais antigas Upanishads, fica com
o amigo leitor.
Driptabalaki e o rei Ajatasatru.
"Driptabalaki, do clã dos Gargyas, era um homem de vastos conhecimentos. Um dia, ele
foi ao encontro de Ajatasatru, rei de Varanasi, e lhe disse:
- "Posso lhe instruir sobre o Ser?"
Ajatasatru respondeu: "Lhe darei mil presentes se conseguir, e então o povo espalhará
esta notícia: 'O nosso rei é tão generoso como o rei Janaka'".
Então, Gargya iniciou seu discurso:
- "No Sol, lá no firmamento, existe um espírito. Reconheço esse espírito como o Ser".
- "Não me fale dele desta maneira", respondeu-lhe Ajatasatru. "Considero o Sol apenas
como o regente da radiação e o rei de todos os seres da terra. Aquele que o reconhece
deste modo torna-se Senhor, Comandante e Rei de todos os seres".
Então Gargya disse: "Há um espírito na longínqua Lua. Reconheço esse espírito como o
Ser".
Ajatasatru respondeu-lhe: "Não me fale dele assim. Apenas considero a Lua como o
grande rei Soma, envolto em vestes brancas. Aquele que assim o reconhece recebe
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diariamente o néctar do soma e nunca lhe faltará comida".
- "Existe um espírito no relâmpago". disse Gargya, "Reconheço esse espírito como o
Ser".
- "Não me fale dele dessa maneira", disse o rei. "Considero o relâmpago apenas como
uma coisa resplendecente. Aquele que o reconhece assim torna-se resplendecente, e
resplendecente será sua descendência".
Então, Gargya disse: "Existe um espírito no espaço. Reconheço esse espírito como o
Ser".
- "Como pode dizer isso?", replicou o rei. "Considero o espaço apenas como a plenitude
que não se abrange. Aquele que o reconhece assim enche-se de plenitude, de filhos e
riqueza, e seus descendentes não desaparecem deste mundo.
Então Gargya disse: "Há um espírito no vento. Reconheço esse espírito como o Ser".
Ajatsatru respondeu:
- "Não me fale assim. Reconheço o vento apenas como o invencível Indra,.um exército
inconquistável. Aquele que o reconhece assim torna-se um conquistador invencível que
conquista todos os demais".
Então Gargya disse:
- "Há um espírito no fogo. Reconheço esse espírito como o Ser"
Ajatasatru respondeu:
- "Não me fale dele assim. Reconheço o fogo como uma poderosa força elemental.
Aquele que o reconhece assim torna-se todo-poderoso, e poderosa se torna a sua
linhagem".
Então Gargya disse:
- "Existe um espírito nas águas. Reconheço esse espírito como sendo o Ser".
Ajatasatru respondeu:
- "Como pode dizer isso? Reconheço esse espírito como uma reflexão maravilhosa.
Aquele que o reconhece assim é honrado por tudo aquilo que reflete sua própria
natureza, assim como seus descendentes".
Então Gargya disse:
- "Existe um espírito no espelho. Reconheço-o como o Ser".
O rei respondeu-lhe:
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- "Então, fale-me dele assim, pois reconheço esse espírito como efulgente. E aquele que
assim o reconhece torna-se efulgente, como efulgente será sua descendência. Ainda,
comparado aos demais, supera-os em seu resplendor".
Então Gargya disse:
- "Há um espírito no ruído do andar do homem. Reconheço esse espírito como sendo o
Ser".
Ajatasatru respondeu-lhe:
- "Não me fale dele assim, porque o reconheço como a vida. E aquele que assim o
reconhece, torna-se a força da vida, e, nas ações do cotidiano, essa força vital não o
abandona antes de tempo".
Então, Gargya disse:
- "Existe um espírito nas direções da terra. Reconheço esse espírito como o Ser".
Ajatasatru respondeu-lhe:
- "Não me fale dele assim, porque o reconheço como o Segundo [manifestado],
inseparável da Unidade [não manifestada]. Aquele que o reconhece desta maneira,
adquire esse Segundo e não é afastado pela pluralidade".
Então Gargya disse:
- "Há um espírito na sombra. Reconheço esse espírito como o Ser".
Ajatasatru respondeu:
- "Não me fale dele assim, porque o conheço como um reflexo da morte. Aquele que
assim o conhece, torna-se poderoso neste mundo, e a morte não ceifa sua vida antes de
seu tempo chegar".
Gargya disse:
- "Existe um espírito no corpo humano. Reconheço esse espírito como o Ser".
Ajatasatru respondeu:
"Não me fale dele assim, porque o reconheço como o possuidor de uma entidade.
Aquele que assim o reconhece, vem a possuir essa entidade, como também sua
descendência". Gargya manteve-se silencioso.
Então o Rei perguntou-lhe: - "É tudo?"
- "É tudo!" respondeu Gargya.
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Disse o Rei:
- "Se isso é tudo, então, nada sabemos!" Gargya dirigiu-se ao Rei:
- "Você consente em que me torne seu discípulo?", perguntou Ajatasatru.
- "É contra os costumes um brâhmane aproximar-se de um guerreiro e pedir-lhe que
discurse sobre o Ser. Não obstante, te instruirei com toda clareza".
O Ser está no sono.
Pegando Gargya pela mão, o Rei levantou-se e começaram ambos a caminhar. Ao
chegar do lado de um homem adormecido, chamaram-no usando vários nomes:
- "Ó Grande Rei Soma, usando em vestes brancas!" Porém, o homem adormecido não
acordou. Então, o Rei sacudiu-o com suas mãos e acordou-o. O homem ergeu-se. E
Ajatasatru disse:
- "Quando este homem estava adormecido, onde se encontrava o Ser, do qual consiste a
consciência? E desde onde é que ele retornou?"
Gargya não sabia responder.
O rei Ajatastru disse:
- "Enquanto este homem dormia, o Ser que é sua consciência apossou-se da precepção
dos sentidos e recolheu-se no coração. Quando isto sucede, se diz que o homem dorme.
Então a respiração, a palavra, a visão, a audição e o pensamento são cativos desse Ser
[respondem a ele].
"Também lhe pertence o mundo dos sonhos, quando o homem sonha. Então ele acredita
que se tornou um grande rei ou um grande sábio, e vive [no sonho] em condições
confortáveis ou desconfortáveis. Como um grande rei, levará consigo o seu povo e,
atravessará os seus domínios, por onde desejar. Do mesmo modo esse Ser apodera-se
das faculdades da vida desse homem, e vagueia à mercê de seus desejos.
"Quando o homem está no sono profundo e nada percebe, esse Ser vai desde o coração
até o alto da cabeça, através dos setenta e dois mil canais chamados hitah, que ligam o
centro do coração ao do alto da cabeça. Tal como um jovem, um grande rei, ou um
grande sábio podem descansar, depois de ter atingido seu zênite, assim, acontece com o
Ser.
"Assim como os fios sutis derivam da aranha, assim como a centelha deriva do fogo,
derivam do Grande Ser todas as vidas, todos os mundos, todos os deuses, todos os seres
em todas as direções. Pela compreensão dos mistérios do Universo, [a visão] das
Upanishads nos auxilia a atingir a Realidade da Realidade. Os ares vitais são uma
realidade, e Ele é a realidade [desses ares vitais]. "
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Kriyás, as purificações orgânicas



Pedro Kupfer

O corpo precisa limpar-se através de exercícios que transcendem a noção de higiene fisiológica pura e simples. Kriyá significa atividade. As técnicas de purificação mais importantes são o shat karma e o shanka prakshálana. O shat karma (as seis ações) é um conjunto de técnicas de purificação descritas no Hatha Yoga Pradípiká: kapálabháti, trátaka, nauli, neti, dhauti e vasti.
Os três primeiros ajudam a purificar o organismo, mas trabalham também a energia e o pensamento. Os três últimos fazem a purificação interna de três partes do corpo. O objetivo destas purificações é equilibrar os três humores do corpo, que se constituem pela interação entre os cinco elementos: vata (ar e espaço), pitta (fogo) e kapha (água e terra). O equilíbrio dos doshas possibilita o correto funcionamento fisiológico. Quando um deles se desequilibra acontecem as doenças. Estas técnicas se fazem para reequilibrar os humores corporais.
Algumas delas ficaram antiquadas ao longo do tempo e não se praticam mais. Por exemplo, hoje em dia, para fazer uma lavagem intestinal, ninguém pensa em procurar um córrego de água limpa onde possa lavar o cólon.
Já o shanka prakshálana é uma lavagem do trato digestivo e intestinal que consiste em ingerir uma grande quantidade de água morna e salgada, fazendo-a circular através de certos exercícios e eliminando-a.
Cada técnica trabalha sobre uma área definida do corpo, não apenas purificando-o por fora, mas também — e principalmente — por dentro, promovendo a limpeza total do organismo, o bhúta shuddhi, indispensável para o progresso na prática. Esse estado de purificação permitirá que a respiração e os fluxos prânicos circulem livremente.
1 - KAPÁLABHÁTI
O nome significa crânio brilhante, imagem que define claramente a sensação que se tem ao fazê-lo. No kapálabháti enviamos uma carga extra de oxigênio ao cérebro, que causa uma sensação de brilho. Este exercício proporciona uma limpeza total das vias respiratórias. Elimine todo o ar dos pulmões. Inspire lenta e profundamente e, sem reter o ar, expire vigorosamente pelas narinas, fazendo bastante ruído e contraindo com força o abdômen.Volte a inspirar de forma completa, com suavidade, e solte o ar outra vez com vigor, porém sem contrair a musculatura facial nem movimentar os ombros. Faça isto pelo menos dez vezes. O intervalo entre duas expirações é muito maior que no bhastriká, a respiração do sopro rápido. A posição na qual você senta deve ser perfeitamente firme, para evitar oscilações devidas à força da exalação. É aconselhável utilizar um lenço debaixo das narinas, pelo menos durante os primeiros ciclos, para reter nele o excesso de mucosidade que será eliminado durante o
exercício. Efeitos: o kapálabháti limpa instantaneamente as vias respiratórias. Fortalece o sistema nervoso e tonifica o organismo, regulando o seu metabolismo. Proporciona excelente oxigenação cerebral, limpando e purificando os pulmões e revigorando os órgãos internos e a musculatura abdominal. Produz um certo estado de euforia, aumenta a confiança em si próprio e a capacidade de controlar a mente. Desperta as faculdades sutis da percepção.
No Gheranda Samhitá descrevem-se três formas de kapálabháti: vátakrama (expiração rápida e vigorosa, parecida com o bhastriká pránáyáma), vyutkrama (se aspira água morna e salgada pelo nariz e se elimina pela boca), e shítkrama kapálabháti (se absorve água morna e salgada pela boca e se expulsa em um sopro pelo nariz).
2 - TRÁTAKA
Trátaka é a fixação ocular. Serve para limpar e tonificar os músculos e nervos ópticos, assim como para descansar a vista. Desenvolve força de vontade e intuição e favorece a meditação. Basicamente, os diferentes tipos de trátaka consistem em fixar firmemente o olhar em um ponto ou em fazer certos movimentos de rotação, alongando músculos e nervos ópticos. Neste sentido, podemos dizer que os trátakas são ásanas feitos com os olhos. Existem três categorias de trátaka. O primeiro tipo é o bahiranga trátaka, exercício externo, que inclui a fixação do olhar em algum ponto, como uma flor, uma folha, um símbolo ou a chama de uma vela, sem piscar, até lacrimejar intensamente. Contemplar o céu deixando o olhar aprofundar-se infinitamente no azul, nas ondas do mar, nas folhagens de uma floresta, observar o sol poente ou nascente, a lua ou as estrelas, também são formas de trátaka. Para fazer bahiranga trátaka você vai sentar em uma posição de meditação bem confortável, estendendo seu braço direito à frente com a mão fechada e o dedo polegar para cima. Olhe detidamente para a unha do polegar e comece a movimentar o braço, deslocando-o muito lentamente primeiro para o lado, depois para cima e por fim para baixo, acompanhando o dedo com os olhos, porém sem mover a cabeça. Faça o mesmo para o outro lado. Agora execute um movimento circular: mova a mão para cima, desça com ela pelo lado e ao chegar no chão troque de braço, subindo então pelo lado e completando o círculo que será feito na próxima vez no outro sentido. Execute diversas vezes. O movimento deve ser lento. Somente os olhos acompanham a mão: a cabeça permanece imóvel. Aproxime então o polegar de seus olhos e focalize-o bem de perto. Logo em seguida foque um ponto distante à sua frente e rapidamente volte o olhar para o polegar, olhe sucessivamente para o ponto distante e para o polegar, diversas vezes. Depois fixe o olhar em algum ponto, como uma flor, uma folha, um desenho ou a chama de uma vela, sem piscar, até lacrimejar intensamente. Por fim, atrite as palmas das mãos uma na outra até produzir um intenso calor. Cubra os olhos com as palmas, cuidando para não apertá-los, bloqueando qualquer entrada de luz e permitindo que os globos oculares assimilem esse calor. Enquanto isso, visualize-os em perfeito funcionamento. Pode-se fazer o movimento com os olhos sem utilizar a guia do dedo, imaginando um círculo em torno deles e mirando primeiramente o ponto entre as sobrancelhas, depois movendo vagarosamente os olhos para a extrema direita, para baixo, seguindo para a extrema esquerda e retornando para o ponto acima. Executa-se diversas vezes esta rotação, invertendo sempre o sentido. Já o antaranga trátaka é um exercício interno, que envolve visualização. Imagina-se um objeto, um símbolo ou
um yantra no espaço escuro dentro da cabeça, na altura do intercílio. O objetivo é alcançar a mesma clareza que quando se olha para esse mesmo objeto com os olhos abertos. O terceiro tipo, antarbahiranga trátaka, combina os outros dois, que se fazem de forma alternada. Esses exercícios podem fazer-se a qualquer momento do dia. O trátaka beneficia a saúde geral dos olhos, chegando em alguns casos a curar miopia ou astigmatismo, aumenta a força de vontade, desperta a clarividência (shámbhaví siddhi) e constitui uma excelente preparação para as técnicas avançadas. De todos os exercícios de trátaka, escolhemos a fixação na chama da vela, por ser ao mesmo tempo simples, fácil e de resultados rápidos.
3 - NAULI
É o isolamento do músculo reto abdominal, pressionando os órgãos internos contra a espinha dorsal e elevando ao máximo o diafragma, ao mesmo tempo em que se imprime um movimento ondulante à musculatura do ventre. Deve fazer-se sempre com os pulmões vazios. Durante o nauli kriyá, o abdômen apresenta uma aparência côncava, ficando totalmente recolhido contra a coluna e para cima, enquanto que o músculo reto abdominal permanece projetado para frente, deslocando-se sinuosamente. Quando os músculos abominais giram em sentido horário, o exercício recebe o nome de dakshinah nauli. Ao girar em sentido anti-horário, chama-se vámah nauli. Ao isolar-se os músculos ao centro, temos o madhyama nauli. Para fazer nauli kriyá, acompanhe cuidadosamente estas instruções. Em pé, com os pés paralelos e separados dois a três palmos, apóie as palmas das mãos sobre a parte alta das coxas com os dedos voltados para dentro e flexione levemente os joelhos, inclinando-se um pouco à frente. Inspire profundamente, exale todo o ar e contraia vigorosamente a parede abdominal para cima e para trás, forçando o músculo reto abdominal a projetar-se à frente. Transfira então o apoio do tronco para o braço direito, mantendo o abdômen contraído. O reto tenderá a deslocar-se para esse lado. Em seguida mude o apoio, deslocando-o para a esquerda. Por fim, pressione firmemente ambos os lados, projetando o músculo para frente. Treine bastante desta forma, até conseguir efetivamente isolá-lo. Depois passe à fase dinâmica: expire e contraia bem o abdômen, provocando um movimento ondulante e girando o reto para ambos os lados: primeiramente em sentido horário, deslocando o reto para a direita, para o centro e para a esquerda, promovendo com isso uma massagem fortíssima nos órgãos internos. Repita essa movimentação o número de vezes que conseguir, sempre mantendo os pulmões vazios. Precisando inspirar, cesse o exercício, descanse durante alguns fôlegos e reinicie-o, até completar um mínimo de cem contrações fortes e cadenciadas. Logo faça o nauli kriyá em sentido anti-horário: para a esquerda, ao centro e para a direita, procedendo da mesma forma. No início, vinte e cinco contrações a cada retenção é um número razoável. Porém, quando estiver devidamente treinado poderá ultrapassar facilmente as quinhentas contrações por sessão, fazendo, por exemplo, dez ciclos de cinqüenta giros a cada shúnyaka. Lembre, no entanto de fazer igual número de contrações em cada sentido, para trabalhar a musculatura de forma equilibrada.
Uddiyana bandha
Caso você ainda não consiga fazer o nauli kriyá, recomendamos como preparatório o uddiyana bandha, que é o recolhimento do abdômen, pressionando os órgãos internos contra a espinha dorsal e elevando ao máximo o diafragma, que fica totalmente encolhido e elevado.
4 - NETI
Neti kriyá é a atividade de purificação das mucosas nasais. Compreende o sútra neti, que se faz usando um cordão, o jala neti, que se faz com água, o dugdha neti, com leite e o ghrita neti, na qual usa-se ghee, manteiga clarificada. É ótimo contra males dos seios frontais e nasais, como sinusite, enxaquecas, rinites, corizas ou resfriados e ainda favorece a saúde das regiões cerebral, cervical e escapular. Cabe ressalvar que está contra-indicado para pessoas que sofrem de hemorragias nasais freqüentes.
Sútra neti
Sútra significa cordão, fio. Antigamente se usava um fio de algodão banhado em cera de abelhas. Hoje em dia esta prática pode ser feita com uma sonda bem fina, de aproximadamente 4 mm de espessura e 36 cm de cumprimento, lubrificada com ghee.
Coloque uma das pontas da sonda em uma das fossas nasais. Empurre-a lenta e cuidadosamente até que alcance a garganta. Neste ponto, introduza os dedos polegar e indicador da outra mão na boca, pegue a extremidade da sonda e puxe-a para fora. Agora segurando-a por cada extremidade, movimente-a para cima e para baixo várias vezes. Repita todo o processo com a outra narina. Este exercício está reservado somente aos praticantes experientes. Se você sentir que pode ser difícil para si, prefira o jala neti, que utiliza apenas água levemente salgada.
Jala neti
Jala significa água. Jala neti é a limpeza das narinas feita água salgada. Para fazer este kriyá necessita-se de um pequeno bule de cerâmica próprio, chamado lota. A água utilizada deve ser mineral, morna e salgada na proporção de uma colher de sobremesa de sal para um litro de água. Se a água estiver pouco ou demasiado salgada, poderá sentir uma leve dor na altura dos seios frontais e ardência na mucosa nasal. Caso queira tonificar os vasos sangüíneos desta área, utilize água fria. Isto melhora a circulação e evita hemorragias nasais.
Fique em pé, com o tronco ligeiramente inclinado para frente e incline a cabeça para o lado direito. Coloque o bico do lota na narina esquerda e incline-o, permitindo que a água entre por essa fossa e saia pela outra. A passagem da água deve ser natural e sem esforço. Isto vai depender da inclinação da cabeça. Mantenha a boca entreaberta e respire por ela. Havendo esvaziado o recipiente, deixe o tronco na mesma posição e o rosto agora voltado para baixo. Execute kapálabháti a fim de extrair o restante da água. Em seguida, observando as mesmas instruções, faça fluir a água da fossa nasal esquerda para a direita. O neti kriyá limpa as narinas, elimina o excesso de mucosidade acumulado nos seios nasais e frontais, estimula o
ájña chakra e desenvolve a clarividência. As outras duas formas de fazer esta lavagem, bastante menos utilizadas, são dugdha e ghrita neti: Para fazer o dugdha neti emprega-se leite morno ao invés de água e o procedimento é o mesmo do jala neti. Já o ghrita neti se faz passando ghee no interior das narinas com o dedo indicador. Isso é muito necessário na Índia, pois o ar é muito seco e é preciso lubrificar as narinas para facilitar a respiração.
5 - DHAUTI
Existem quatro tipos de dhauti kriyá: antar dhauti, que compreende diversas técnicas para a limpeza dos órgãos internos; danta dhauti que engloba um grupo de exercícios para asseio dos dentes e órgãos dos sentidos; hrid dhauti, que é descrito como purificação do coração, mas que também atua sobre os órgãos internos e múla shodhana, que consiste em fazer a lavagem do reto. Dhauti significa limpar, lavar, purificar.
Antar dhauti
Antar, palavra que significa literalmente, interno, é um dhauti que envolve quatro técnicas para a desintoxicação dos órgãos internos: vátasára na qual utiliza-se o elemento ar; várisára onde é utilizado o elemento água; vahnisára ou agnisára, a limpeza feita através do elemento fogo e bahiskrita, a lavagem do reto. Vátasára dhauti. Este é um método de difícil execução, acessível apenas para aqueles praticantes que adquiriram um bom conhecimento e domínio do corpo. Váta é ar em sânscrito. Vátasára dhauti kriyá é a purificação do estômago, feita utilizando ar. A técnica consiste em sorver ar pela boca, através do bico de corvo (kaki mudrá, gesto que consiste em fechar os lábios, deixando uma abertura circular pela qual flui o ar), até encher todo o estômago. Faz-se o ar circular por ele e em seguida executa-se uma posição de inversão. A melhor delas é o sarvangásana, invertida sobre os ombros, com os joelhos flexionados tocando a testa ou o chão. Desta forma o ar será pressionado, empurrado para os intestinos e expelido naturalmente. Caso surja alguma dificuldade, é possível eliminar o ar através da permanência no mayurásana. O Gheranda Samhitá, diz que este dhauti purifica o corpo, evita diversas enfermidades e aumenta a secreção do suco gástrico.
Várisára dhauti Vári significa água. Com o estômago vazio, ingere-se um litro e meio de água morna e salgada. A continuação fazem-se alguns ciclos de rajas uddiyana bandha ou nauli kriyá e uma invertida. Finalmente expele-se a água pela boca, colocando dois dedos na garganta para provocar a vomição. Para algumas escolas, várisára dhauti é sinônimo de vátasára dhauti ou shanka prakshálana. Agnisára ou vahnisára dhauti. Esta técnica dinamiza o elemento fogo no interior do corpo, associado ao váyu samána, o ar vital responsável pela correta assimilação dos alimentos. Agni significa precisamente fogo. O agnisára dhauti consiste em executar cem contrações abdominais em um só shúnyaka (retenção com os pulmões vazios).
Sente-se em posição de meditação. Apóie as mãos nos joelhos e deixe o tronco ligeiramente inclinado para frente. Elimine todo o ar dos pulmões, execute jalándhara bandha e contraia vigorosamente o abdômen, como se quisesse tocar com o umbigo na coluna vertebral. Em seguida relaxe a musculatura. Contraia e relaxe inúmeras vezes de forma intensa e dinâmica, enquanto mantém os pulmões vazios. Este dhauti aumenta a força de vontade e o fogo
interno. Bahiskrita dhauti é a limpeza do reto. Esta limpeza é feita com água: deve-se ficar submerso na água até a altura do umbigo e lavar o reto com os dedos. Também pode utilizar-se ar em lugar de água. Bahiskrita significa colocar para fora, exterior. O nome derivaria da qualidade que alguns yogis teriam de fazer esta lavagem pondo o reto e o cólon para fora do corpo para poder lavá-los, após ter enchido de ar o estômago e tê-lo expelido pelos intestinos, segundo está exposto nas escrituras. Obviamente, não é a nossa intenção que você sequer tente fazer isto: fica registrado aqui apenas a título de curiosidade.
Danta Dhauti
Embora a palavra danta signifique apenas dente, o danta dhauti inclui as seguintes purificações: danta múla dhauti, limpeza da raiz dos dentes; jihva dhauti ou jihva shodhana, a lavagem da língua; karna dhauti, asseio dos canais auditivos; kapálarandhra dhauti desobstrução dos seios nasais; e chakshu dhauti, ablução dos olhos.
Para fazer a limpeza dos dentes de acordo com a tradição, emprega-se pó de catechu, que é esfregado nos dentes a fim de limpá-los bem. Atualmente encontram-se diversos produtos à base de ervas ou argila para esta finalidade. Como sucedâneo, podemos servir-nos da combinação de azeite de oliva com sal. Misturam-se estes dois ingredientes e com o dedo indicador esfrega-se o preparado nos dentes e nas gengivas. Se for utilizar escova dental, escolha aquelas de cerda suave e escove-se fazendo movimentos circulares. Evite os movimentos horizontais, pois isso pode prejudicar o esmalte dos dentes. Utilize fio dental para remover os resíduos acumulados nas cavidades.
Danta múla dhauti: a purificação da raiz dos dentes faz-se pressionando com força os maxilares fechando bem a musculatura da mandíbula. O danta múla dhauti inclui também a purificação e massageamento das gengivas. Para essa finalidade aconselha-se também a ingestão de alimentos de textura firme, como frutas secas: amêndoas, castanhas, nozes ou ainda torradas e outros alimentos duros, pois estes produzirão uma massagem na base dos dentes.
Jihva dhauti. Diariamente, ao escovar os dentes, passe a escova dental na língua, desde a raiz para a ponta, com bastante água, até remover toda a camada esbranquiçada e junto com esta, resíduos de alimentos e bactérias. A limpeza da língua também pode ser feita utilizando uma colher para raspar e remover o excesso de mucosidade ou esfregando-a com os três dedos maiores e lavando-a com muita água.
Karna dhauti. Lavagem dos ouvidos com o dedo médio. Também podem utilizar-se hastes flexíveis de algodão embebidas em óleo de bétula ou similar, passando-as com cuidado no canal auditivo. Isto não deve fazer-se todo dia, pois retirar a cera com demasiada freqüência pode prejudicar a lubrificação natural dos canais. Karna é ouvido em sânscrito.
Kapálarandhra dhauti é a limpeza dos seios frontais. Consiste em estimular e massagear com movimentos circulares a região do intercílio ou fazendo uma leve percussão nesta área com os dedos da mão direita. Essa massagem é tonificante, descansa os olhos e a musculatura do rosto, aumenta o poder de concentração e a lucidez em momentos de esgotamento físico ou intelectual. Kapálarandhra designa o crânio e, mais especificamente, a parte interior dele.
Chakshu dhauti. É a ablução dos olhos feita com água mineral, morna e salgada ou ainda com chá de pétalas de rosa, de camomila ou outras ervas com ação emoliente. Também se pode utilizar soro fisiológico. Para fazer esta purificação precisaremos empregar um copo pequeno de vidro, que encaixe perfeitamente no olho. Verta o líquido no copo, incline a cabeça, coloque e afirme o recipiente na cavidade ocular, eleve a cabeça e abra o olho, fazendo o líquido circular. Repita depois a operação com o outro olho.
Hrid Dhauti
Hrid dhauti significa limpeza do coração, embora o termo hrid designe não apenas o coração, mas toda a área do tórax até a garganta, incluindo-se aqui estômago, esôfago, laringe e faringe. O nome provém da purificação que se processa no plexo cardíaco, beneficiando o prána váyu (o ar vital do coração), que é responsável pela captação de energia do meio ambiente. Duas técnicas configuram este dhauti: vámana e vastra.
Vámana dhauti é a lavagem do estômago com água. Em jejum, bebem-se de quatro a seis copos de água morna e salgada e executam-se vários ciclos de nauli kriyá. Em seguida, se faz uma massagem com os dedos médio e indicador na raiz da língua, para provocar o vômito. Em utkásana, sentado de cócoras, expulsa-se toda a água. As unhas devem estar bem cortadas, caso contrário você poderá machucar a garganta. Repete-se o exercício mais três vezes: água, nauli, vomição. É importante a repetição desta vomição, pois não é possível purificar a vesícula biliar logo na primeira execução. Eliminando o excesso de bílis, estimulamos o funcionamento de todos os órgãos internos: fígado, rins, baço, pâncreas, estômago, pulmões e coração. Acaba com as disfunções provocadas pelo excedente de muco, azia, dispepsia e outros males do aparelho digestivo. Aumenta a saúde, a força de vontade, o ânimo e a disposição. Em alguns textos, vámana dhauti e sinônimo de várisára dhauti. Noutros, aparece ainda como sinônimo de shanka prakshálana.
Vastra dhauti ou váso dhauti é a limpeza do estômago com uma tira de gaze de algodão umedecida. Deve ser ingerida lenta e cuidadosamente, deixando uma parte dela para fora; em seguida executam-se alguns ciclos de nauli kriyá, mantendo-a no máximo durante quinze minutos no estômago. Este dhauti reveste algum risco para a saúde caso seja mal executado, razão pela qual pedimos ao nosso caro leitor que o faça apenas sob a supervisão direta de um instrutor qualificado e responsável. Aconselha-se fazer alguns ciclos de kapálabháti em seguida. Procure não comer ou tomar banho até meia hora após a execução deste dhauti. É conveniente evitar a ingestão de alimentos crus na primeira refeição. O vámana dhauti não precisa fazer-se com demasiada freqüência: uma vez a cada quinze dias ou uma vez por mês serão suficientes para manter o aparelho digestivo em perfeito estado.
Múla shodhana
Este exercício recebe também o nome de múla dhauti. Consiste em fazer uma lavagem do reto e da última porção do cólon. O apána váyu (ar vital responsável pela excreção) não flui livremente se essa área não estiver purificada. O múla shodhana acaba com a constipação intestinal, problemas digestivos e dispepsia. Introduz-se o dedo médio no reto e fazendo movimentos circulares nos dois sentidos, limpa-se cuidadosamente a região com o auxílio de água. Deve-se prestar atenção para que as unhas estejam bem aparadas.
6 - VASTI
O vasti inclui dois métodos para a purificação dos intestinos: um feito com água, jala vasti e outro com ar, sthala vasti. No caso do primeiro exercício, necessitará apenas de disponibilidade de tempo, pois este terá a duração de uma a duas horas, dependendo das condições dos intestinos do praticante. Já a segunda técnica exige um domínio total da musculatura do abdômen.
Jala Vasti
Jala é água. Jala vasti é a lavagem dos intestinos, feita com água. O método tradicional faz-se usando uma cânula ou tubo de bambu de cinco dedos de comprimento por um de espessura. Antigamente, quando as fontes de água não estavam poluídas, o praticante ficava dentro de um rio, com a água na altura do umbigo e utilizava o bambu para sugar através dele a água e fazê-la penetrar nos intestinos. Depois expelia-se tudo. Dominando a técnica, ele tinha condições de fazê-la sem o bambu. Concordamos com você se achar que estas descrições têm um quê de folclórico, mas considere a época em que estas técnicas foram desenvolvidas (mais de 5000 anos atrás!) e pense também que, naquele, tempo os nossos ancestrais deste lado do mundo moravam em cavernas e nem sequer estavam sabendo da existência dos próprios intestinos... Atualmente, na falta de rios cristalinos, podemos realizar o jala vasti com um clister que tenha capacidade para dois litros de água. Esta deve ser mineral, morna e salgada, em proporção igual à utilizada no jala neti. Assimilam-se dois litros de água pelo reto. Executa-se uma posição de inversão até sentir forte vontade de evacuar. Este processo deve ser repetido até que a água saia bem clara. A prática de jala vasti aumenta a saúde de um modo geral, o vigor físico e a imunidade. Não se preocupe com a perda da flora intestinal que acontece durante a lavagem, pois ela se regenera e renova rapidamente, o que, aliás, é muito benéfico. Beba iogurte ou coalhada e pronto.
Sthala Vasti
Ficando em viparíta karanyásana, a variação mais simples da invertida sobre os ombros, com as costas em um ângulo de 60 graus em relação ao chão, traga os joelhos até o peito. Nesta posição, puxe ar pelo reto, provocando o vazio no abdômen através do nauli kriyá ou uddiyana bandha. Após alguns minutos, expila-o fazendo diversas contrações abdominais.
Extraído do livro Yoga Prático.